DOUTORADO

terça-feira, maio 29

LaRepublica.net - Voces brasileña y tica regalarán poemas en el Teatro Nacional



LaRepublica.net - Voces brasileña y tica regalarán poemas en el Teatro Nacional

Matéria sobre o Concerto de Amanhã, aqui na Costa Rica!



O Concerto, promovido por "Más Cultura Producciones" reúne os compositores Dionísio Cabal (Costa Rica) e Leandro Maia (Brasil), acompanhados pelos músicos Carlos Saavedra (percussão), Mário Álvarez (baixo), Carlos Mesen (percussão), Alex Sandoval Montero (guitarras), Esteban Salas (violino e acordeom), Nelson Álvarez (piano), Kin Rivera (bateria), Arturo Alpízar (saxofone e flauta) y Cristina Gutiérrez (voz).

Dionísio Cabal é um dos nomes mais importantes da música latinoamericana. Fundador do Movimento da Nueva Canción Costarricence vem, desde os anos 70, defendendo e difundindo a cultura de seu país. Foi premiado em diversos festivais internacionais, dentre eles o Festival Internacional de Moscou, de 1977. Seus discos também receberam diversos prêmios, entre eles o infantil Niñitos, Chepes y Marias (2008), Cabal (2009) e Libertad y una Guitarra (2010). Possui diversas publicações como Refranero de uso Costarricense e ¿Qué tiene el Rey el La Panza?, que conquistou o Terceiro Prêmio Embaixada da Espanha de Narrativa Infantil, em 2011. É o idealizador e maior difusor da “Red Nacional de Copleros”, movimento de resgate da prática da poesia popular e do repentismo da Costa Rica.

Leandro Maia é cantor e compositor brasileiro. Autor do Cd-Livro “Palavreio”, com o qual conquistou o Troféu Revelação do “Prêmio Açorianos de Música”, em 2008, também considerado um dos dez melhores discos brasileiros de 2008 pelos jornais do sul do Brasil. Integrante do trio “Nó de Pinho” com Thiago Colombo e Paulo Gaiger, também participa de projetos ao lado de Fábio Mentz e Marcelo Delacroix. Participa do Cd “Canteiro”, do genial multi-instrumentista André Mehmari, tendo a honra de participar do show de lançamento ao lado de nomes como Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Sérgio Santos e Luciana Alves. Leandro foi um dos idealizadores do Projeto Gauchada Sul Generis, que ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil no RJ, em 2012. Prepara seu segundo disco, intitulado “Suíte Maria Bonita e Outras Veredas” e o disco infantil “Mandinho”, em fase de produção pelo Procultura/Pelotas.

domingo, abril 15

Meu irmão me deixa


Meu irmão me deixa


No caso do Luís Antônio, ou Totôto, como era seu apelido familiar, esta afirmação tem muitos sentidos. Sua morte prematura, aos 47 anos, vítima de um câncer fatal, causa um vazio enorme. Mas o verbo "deixa", também tem outro significado. Deixar também significa ficar.

A primeira coisa que meu irmão me deixa é o violão. Ser músico, pra mim, em muito se deve muito aos momentos em que meu irmão tocou violão na minha frente quando eu era bebê. Nasci em 1979, e em 1982 a família mudou-se para Porto Alegre, sob a trilha sonora de Kleiton & Kledir:  "vou pra Porto Alegre, tchau." No mesmo ano de 82, meu irmão torna-me tio da Carolina. Ele, pai com 17 anos e eu, tio com três. Contam os mais velhos que eu aplaudia enfaticamente preso à cadeirinha de comer quando ele tocava o violão, ainda em Caxias do Sul ou Bento Gonçalves – cidades onde moramos antes de POA. Minhas irmãs tocavam piano e meu irmão, violão. Escolhi o violão. Junto com as seis cordas, herdei de meu irmão um intenso repertório, de Villa-Lobos a Nelson Gonçalves, de Almôndegas e Piazzolla, de Beethoven a Pedro Ortaça.

Meu irmão tornando-se pai aos 17 anos, tornou-me tio aos 3. Herdei de meu irmão também, de certa forma, uma velhice e precocidade na vida. Quem me conhece jura que pareço mais velho. Quem me conhece mais de perto tem certeza. Mas meu irmão era a precocidade em pessoa, na verdade um reflexo de sua melancolia, de sua alma velha, se sua mente privilegiada. Aos vinte e poucos anos, cantava tangos nas casas noturnas em Porto Alegre, com preferência ao Recanto Latino, de Nina Moreno, que tive a honra de conhecer numa das noitadas ao lado do meu irmão, anos mais tarde. Tivemos algumas memoráveis noitadas. Cantar tango e Nelson Gonçalves, para um cara de vinte e poucos anos, nos anos 80 era praticamente um atestado de antiguidade. (Hoje o tango renasce em jovens intérpretes, mas na época era outro papo). Com meu irmão comi espinhaço de ovelha em sexta-feira santa. Até hoje minha mãe não sabe desse sacrilégio. Com meu irmão fui em meu primeiro bar noturno para ouvir música, o Bluejazz, na Cidade Baixa. Trabalhar cedo, dormir o mais tarde sempre que possível. Viver o dia e a noite ao máximo.

Herdar toda esta velhice, significa também herdar um bom grau de ironia e acidez – que fiz questão de ir domando com o tempo e que venho mantendo sob certo controle, na medida do possível. Meu irmão, que tinha um cérebro mais acurado do que qualquer PhD, cultivava um ph baixíssimo em termos de humor – o que caracteriza uma acidez considerável. Gostava de vinhos encorpados, da mesma forma. “Parei de fumar cigarro”. Que bom, comemorava com os meus botões. “Passei ao charuto”, completava a frase com seu sorriso de canto de boca, já propenso ao fumo anatomicamente, como se fizesse parte de sua constituição física. Não foram poucas vezes em que ouvi recados na secretária eletrônica entrecortados por suspiros de fumo de cigarro. Era uma espécie de marca, pausa retórica, com ares de Quintana.

Mas era igualmente comum ver este sorriso abrir-se largo ou em gargalhadas. Era um excelente piadista. Mas das piadas dele, sempre com um grau de sobriedade, um humor bastante seu. Sagaz. Isto eu, definitivamente não herdei. Meu irmão me deixa seu senso de humor, sem dúvida, mas meu reflexo humorístico é bastante retardado. Acabo eu sendo mais chulo, na verdade. As histórias e causos que meu irmão contava costumavam entrar para o dicionário da família. Era bastante comum que nossas piadas ficassem no ar, incompletas ao público, consumidas somente no olhar. De certa forma, o humor era um dos artifícios de meu irmão à cumplicidade. O humor era uma porta de entrada no seu denso pensamento, e ao mesmo tempo um truque para desviar de assunto, quando não queria falar de algo. Humor nos seus diversos matizes: a sagacidade, a leveza, a ironia, a sátira, a inocência, a ternura. Então, sentir falta de meu irmão é paradoxalmente sentir falta tanto de sua melancolia, quanto de seu humor. Sentir falta de sua voz e de seu silêncio, de suas respirações. Quando até o silêncio faz falta é quando mais dói. “Um amigo calado, desses que lêem versos de Horácio”, conforme Drummond, em “A Bruxa”, um de seus poemas preferidos.

Meu irmão me deixa muitas leituras e desejos de leituras. Dele herdei Marx, Fernando Pessoa, Quintana, Vinícius, Drummond mil vezes. Esta é uma herança sagrada. Herdar Dom Quixote. Herdar “A Flor e a Náusea”, “A Bruxa”, “Os ombros suportam o mundo” e outros tantos poemas de Drummond recitados com maestria é o mesmo que herdar a arte de fazer fogo, de forjar uma espada ou cozinhar um prato milenar de família. Herdar seus comentários sobre Getúlio Vargas, Júlio Cesar, Napoleão e General Lott. Não há como explicar o sabor do amendoim com chocolate – ou carapinha, como chamamos lá em casa – feito por minha mãe. O máximo que posso dizer é que minha passagem pelo primeiro grau num colégio de freiras foi inesquecível às professoras não por causa de minha dedicação como aluno, mas pelo sabor e cheiro das carapinhas feitas pela dona Antonieta nas festas juninas. O privilégio de ouvir um poema do Luís é equivalente ao degustar as inexplicáveis carapinhas. Algo somente possível pela experiência vivida, intransferível, inesquecível.  Não há como abrir um livro sem os dedos do Luís não apareçam em suas páginas. Eu não sabia que as carapinhas eram tão maravilhosas assim. Eu não sabia que meu irmão era o melhor recitador de Drummond até ver outras risíveis interpretações de gente famosa, que consegue transformar Drummond num colunista de meia pataca. A poesia era quase mística em meu irmão.

Herdei milhares livros que não li, uma faculdade de direito que não completei. Herdei um futuro que ficou pra lá. Ainda bem. Até isso é herança boa. Herança de possibilidades. Herdei lugares: Brasília, Belém do Pará, Pirenópolis, Goiás Velho, São Paulo e Rio, de certa forma Buenos Aires e, até mesmo Paris – que ainda não conheço, mas não terei como colocar os pés por lá sem seguir o rastro do meu irmão, que palmilhou cada pedra. O mesmo ocorre com outros tantos lugares. Meu irmão me deixa o sabor das viagens, o cheiro das pessoas. Meu irmão me deixa Tucupi, Maniçoba, Surubi, Cachorro do Rosário, Bauru do Trianon, amplo espectro de churrasco e peixes, sorvetes maravilhosos e pastas diversas. Legou-me restaurantes, cheiros e lugares.

Minhas primeiras viagens sozinho foram obra de meu irmão. Aos 16, 17 anos poder vagar solto por alguns dias em lugares desconhecidos é como herdar o próprio mundo. Herdar o mundo palmo a palmo, passo a passo, como quem tateia no escuro. Essa herança de mundo é a que fica de verdade, é uma a conquista que coloca o Rio do Peixe ao lado de qualquer Eufrates e o Pouso do Sô Vigário no nível de um Copacabana Palace. Viajar na caçamba de uma caminhonete entre Pirenópolis e Goiânia. Caminhar em Belém do Pará do Theatro da Paz até a Estação das Docas, da Casa das Onze Janelas até o Mangal das Garças. “Tens que conhecer o Recife”. “Minas é o Brasil”. Entre tantas outras referências a terras e pessoas. Viagens onde me encontrei. Meu irmão me deixa também lugares onde ainda não fui.

Ouvir música, abrir um livro, comer com prazer. Presentear os outros. Isto era meu irmão. Se o mano agora é perda, ele também me deixa a dádiva. Se meu irmão agora é tristeza, é porque me possibilitou vida. Desde presentes materiais, alguns insanamente caros, até terapia, meu irmão me deixa minha alma. Se hoje me pego imóvel diante da dor, meu irmão me deixou a inquietude e perplexidade ativa diante do mundo. Tocando em frente.

“Chega um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação”. Um dos seus versos preferidos de Drummond ainda ressoa a cada lembrança. “Teus ombros suportam o mundo, e ele não pesa mais do que a mão de uma criança. As guerras, a fome, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue, nem todos se libertaram ainda.” “Chega um tempo em que não adianta morrer”. Essa leveza densa é um legado diante do mundo de hoje.

“El mundo fue y será una porquería”, já sabemos. Um cambalache insolente, como diria seu tango predileto. Mas também “uma aventura errante”, conforme Vinícius de Moraes, outro dos preferidos do Luís. Chega um tempo em que a vida é uma ordem. Enquanto vivemos nossa vidinha, seguimos ainda descobrindo e desvelando legados. A vida, apenas. Grande e pequena. Intensa e curta. Que a memória do Luís siga como um farol que nos engrandeça, que nos afaste da mediocridade e que nos permita viver amores, sabores, humores com toda a densidade que ele nos revelou existir. Te amo, velho.

quarta-feira, abril 11

PROCULTURA: UMA ODISSÉIA EM PELOTAS


PROCULTURA: UMA ODISSÉIA EM PELOTAS
 
 
Por Leandro Maia
Músico
 
 
I
PROCULTURA é o nome do Programa Municipal de Apoio à Cultura instiuído pela Lei Municipal Nº 5.662, de 30 de dezembro de 2009. O programa é gerido pela Secretaria Municipal de Cultura, a SECULT, atualmente dirigida pelo Sr. Secretário Ulisses Nornberg. Vale ressaltar, de início, que a referida lei constituiu-se num grande avanço para a cidade, pois implementa uma política pública democrática, transparente, plural e eficiente, se realizada de fato.

II
É um avanço exemplar em vários sentidos. A proposta surgiu como uma demanda da própria comunidade cultural pelotense, através da manifestação de artistas e ativistas da cultura, de seminários como “Primavera da Cultura Livre”, promovidos pelos diversos coletivos e movimentos culturais da cidade, que é uma referência em cultura no Rio Grande do Sul e Brasil. Um avanço porque nasce do diálogo entre comunidade cultural e poder público. Um avanço porque compreende a cadeia produtiva do setor e sua organização como Economia da Cultura. Avanço porque entende as artes e a cultura como campo de trabalho, emprego e renda, além de elemento fundamental para a estruturação da subjetividade e imaginário simbólico de uma população. Uma programação cultural forte na cidade contribui para a educação, para o turismo, o lazer em diversos âmbitos da vida das pessoas.

III
O diálogo parece rompido unilateralmente, como se o tampão de ouvido utilizado por Ulisses, herói da Odisséia, ao invés de protegê-lo do canto das sereias, o tivesse protegido do canto dos artistas da cidade. Isto porque o Secretário Ulisses e o Prefeito Adolfo Fetter, decidiram utilizar as verbas destinadas ao Programa Municipal de Apoio à Cultura – que é gerenciado através de edital público, implementado por técnicos e avaliado por especialistas – em outras prioridades, digamos, o que gerou um “erro de sistema”, ocasionando atraso nos pagamentos. Desde o ano de 2011, diversas explicações foram dadas. Mas explicação não é diálogo. Diálogo é cumprir o que foi acordado, decretado, selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado, se quiser voar. Plunct, Plact, Zum, não vai a lugar nenhum, como diria o velho Raul. Se a cidade apresenta problema em relação a espaços culturais (vide Theatro Sete de Abril), apresenta também sério problema na área de financiamento à cultura.

IV
Voltando aos gregos: um simples jogo de lógica nos faria pensar a respeito. 1) O gestor público institui o PROCULTURA democrático, transparente, plural e eficiente. 2) O gestor público não executa o PROCULTURA democrático, tranparente, plural e eficiente. 3) Qual é a conclusão? Podemos afirmar que o gestor público é democrático, transparente, plural e eficiente? Talvez o procedimento de silogismo não esteja a contento e o autor possa parecer um sofista, mas o exercício é revelador da atual situação da Cultura em Pelotas. O mesmo gestor que cria a lei, não a aplica. Como fica?

V
E mais: o Programa não está completo. Recentemente em audiência sobre o tema na Câmara de Vereadores, realizada em 23/03/2012, ficou esclarecido outro “erro de sistema”: a verba do Procultura não se constitui num Fundo Municipal, não apresenta reserva ou destinação alguma. Não tem valor fixo, não tem prazo, vinculação. Nada obriga a Prefeitura a executar o orçamento referente ao Procultura – a não ser, é claro, o compromisso firmado através de editais e o controle da sociedade civil. Temos, então, um “cavalo de Tróia”, uma “Economia Informal da Cultura”, embora existam contratos assinados desde janeiro prevendo o repasse de verbas e execução de projetos importantes para a cidade. Um verdadeiro épico do financiamento à cultura.

VI
Vale ressaltar à população e ao poder público atual e futuro – já que estamos próximos às eleições municipais – que é urgente que o programa transforme-se realmente num Fundo. Isto é uma diretriz do próprio Ministério da Cultura (MinC) para o setor. Somente poderá participar do Sistema Nacional de Cultura, em fase de implementação, a prefeitura que tenha o chamado “CPF”, ou seja, que tenha instituído um Conselho, um Plano e um Fundo Municipais de Cultura. Se o Sistema Nacional de Cultura já estivesse em vigor, Pelotas não poderia participar dele, pois o Programa de Apoio à Cultura (PROCULTURA) não é gerido por meio de um Fundo Municipal, que tenha receita e rubricas próprias. É gerido através de uma verba aleatória e perambulante junto aos cofres da Prefeitura Municipal entre um carnaval e outro. Não ter um Fundo Municipal de Cultura em Pelotas impossibilita que a cidade receba, inclusive, verbas federais para o setor. Resumindo: além de não pagar o que deve, a Prefeitura Municipal impossibilita que venham outras fontes de recursos para a Cultura de Pelotas, pois a cada real investido pela Prefeitura, prevê-se um real do Governo Federal. Como está atualmente, o Procultura vive ao sabor dos ventos da nave de Ulisses em meio ao Mar Egeu. Antes fosse o Laranjal. Que a situação se resolva sem maiores tragédias e o PROCULTURA cumpra seus mais de doze trabalhos a serem realizados ainda neste ano.
 
 

domingo, janeiro 15

Luís Antônio Castagna Maia (16/12/1964 - 14/01/2012)






Advogado cível, considerado o maior nome de Direito Previdenciário no país, Luís Antônio Castagna Maia nasceu em 16/12/1964, na cidade de Gaurama/RS. Irmão do meio, filho do bancário Antônio Brasil Ferreira Maia e da dona de casa Antonieta Castagna Maia, passou boa parte da infância mudando-se para diferentes cidades do interior gaúcho, acompanhando as transferências do pai, gerente substituto do antigo Banco Agrícola, mais tarde Unibanco. A relação com bancários e o trânsito por várias cidades se fizeram constantes em sua vida.

Desde cedo demonstrava grande inquietação com o mundo, rebeldia e grande intensidade existencial. Aos 13 anos começou a trabalhar. Aos 14 bateu o carro que pegara do pai sem autorização. Aos 15 iniciou sua trajetória no Banco do Brasil, como menor aprendiz. Aos 17 anos, prestes a se mudar para Porto Alegre com a família, tornou-se pai. Aos 18 anos ingressou como efetivo no mesmo Banco do Brasil através de concurso público. Já como menor aprendiz, frequentava o movimento estudantil e sindical na serra gaúcha, aproximando-se de diversos movimentos políticos ligados à gênese do Partido dos Trabalhadores. Também aos 18 anos ingressa no Curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS).

Atuou intensamente no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, onde comandou greves e atuou sob a liderança de nomes como Olívio Dutra e companheiros como Sérgio “Jacaré” Metz (falecido letrista do grupo Tambo do Bando), em plena efervescência do movimento sindical dos anos 80 – que viriam desencadear a primeira candidatura de Lula à Presidência. Em meio à disputa eleitoral no segundo turno da eleição de 89, Luís Antônio Maia – mais conhecido pelos companheiros como Maia – cunhou o célebre slogan “Brizola no Coração, Lula lá” mobilizando eleitores do campo progressista num dos poucos estados onde Collor não vencera a eleição. Aos 23 anos de idade, Maia era o mais jovem coordenador do DIEESE até então. Foi também Secretário Geral do Sindicato dos Bancários e Diretor da Executiva da CUT entre os anos de 1989 e 1991.

Mudou-se para Brasília ainda nos anos 90, para fundar o GAREF: Gabinete dos Representantes dos Funcionários. Retoma os estudos de Direito junto à Universidade de Brasília (UnB), e formado deixa o banco para assumir a trajetória de advogado combativo junto às Federações de Sindicatos e associações de Fundos de Pensão, tornando-se referência também em Direito Previdenciário. Funda o escritório “Castagna Maia Advogados Associados” e inova ao adotar o contato direto com os clientes através do primeiro blog de escritório de Advocacia no Brasil, também caracterizado como um espaço de opinião, discussão e poesia – uma das suas grandes paixões.

Luís Antônio Castagna Maia sempre foi um leitor voraz e inquieto, constituindo sua base de pensamento desde Pontes de Miranda e Padre Antonio Vieira, passando pelos grandes poetas brasileiros como Vinícius de Moraes, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade, seu preferido.  Leituras numerosas e profundas. São lembradas pelos amigos suas intensas interpretações de poemas como “A Flor e a Náusea”, “Os Ombros Suportam o Mundo”, “A Bruxa”, dentre tantos outros poemas do mestre itabirano recitados de memória, como uma partitura construída de forma consistente e bastante própria. Densa e encantadora.

Ainda no âmbito das artes, tinha formação e ouvido musical apurado, tendo estudado violão erudito durante a infância na cidade de Vacaria/RS – uma das tantas cidades pelas quais passou. Dono de uma cultura musical invejável, também se aventurava com êxito ao cantar tangos, habilidade adquirida nas boêmias casas noturnas de Porto Alegre nos tempos de sindicato. Cambalache, Vuelvo al Sur, Balada para un Loco e Por una Cabeza, figuravam no repertório deste apaixonado pelo eixo Buenos Aires – Paris, tal como Astor Piazzolla, seu predileto. Seus dentes - mais separados na frente - lhe possibilitavam um assovio grave e airoso, acionado como recurso para lembrar de alguma melodia antes de entoar lindamente uma letra completa. Quando não assoviava, sorria. Quando não sorria, brandia contra a injustiça. Sabia também ser irônico e ácido quando necessário. Sabia como ninguém ser amoroso e gentil. Seu humor era perspicaz e espirituoso. Sua franqueza, fatal.

Estudioso e obsessivo com os livros, Maia era detentor de grande poder retórico e criatividade. Suas argumentações e petições jurídicas apresentavam por vezes vários tomos encadernados. Cada causa, uma tese. Cada tese, uma paixão. Nunca advogou a contragosto ou sem profunda convicção. Defendeu a saúde dos bancários, assolados pela L.E.R – Lesões por Esforços Repetitivos, grande mal da categoria. No âmbito da previdência complementar, defendeu aposentados e pensionistas do olhar fraudulento de diretorias e governos, que viam nos Fundos de Pensão a possibilidade de captação imoral de recursos à custa do labor alheio. Defendeu Petroleiros, Comerciários, Bancários e Aeronautas de forma incansável. Denunciou a privatização de plataformas de Petróleo. Analisava a conjuntura nacional a cada movimento. Dormia pouco, mas sonhava muito.

Luís Antônio Castagna Maia nos deixa, na flor de seus intensos 47 anos, vítima de um câncer fatal, diagnosticado no dia 11 de setembro de 2009. Desta vez, foi uma torre brasileira que sofreu o atentado. Mas ruiu aos poucos e caiu de pé. Uma torre em queda, mas um farol que ainda ilumina a vida de milhares de pessoas de todas as partes do Brasil. Um farol que nos ensina o valor da vida e da dignidade humana. Uma luz que não se apaga.

Com muita dor, muito amor e as melhores memórias,
Seus Amigos e Familiares

Brasília, 14 de janeiro de 2012.






sábado, dezembro 31

Trabalhos Desenvolvidos - Release de Leandro Maia



      Cantor, violonista e compositor. Mestre em Letras - Pós Graduação em Literaturas Brasileira, Portuguesa e Luso-Africanas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com a dissertação Quereres de Caetano: da canção à Canção, 2007. 
Especialista em Letras - Práxis da Criação Textual, no Centro Universitário Ritter dos Reis, com a monografia A palavra-canto é uma ponte, 2004. 
Licenciado em Música, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o trabalho de conclusão O professor de música no trânsito entre dois mundos, 2002. Prêmio Açorianos – Revelação e Troféu Cultura RBS pelo Cd-Livro “Palavreio”. 
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      Atuou como violonista, cantor, arranjador e compositor do quinteto de música popular de câmara “Café Acústico” (1998 a 2001), com o qual recebeu dois prêmios Açorianos de Música, na categoria Melhor Grupo de MPB (1999 e 2000) e venceu a segunda edição do Festival de Música de Porto Alegre (1999). No teatro, trabalhou como Diretor Musical do espetáculo “Ópera dos Mendigos” do núcleo de formação de atores do Depósito de Teatro (2007) e atuou como cantor no espetáculo “Antígona”, dirigido por Luciano Alabarse (2004) com música de Arthur de Faria.


Assinou a trilha sonora e a direção musical do espetáculo “Penélope Bloom”, uma produção Brasil-Costa Rica baseada na obra “Ulisses” de James Joyce, dirigida pelo costarriquenho Gerardo Bejarano. Esta obra foi contemplada com o Prêmio Myriam Muniz Funarte/Petrobrás.




Em 2005 foi representante do RS na Câmara Setorial de Música, eixo Formação, participando ativamente do movimento pela inclusão da Música nas escolas. http://www.cultura.gov.br/cnpc/wp-content/uploads/2009/03/relatorio-inaugural-musica.pdf

Atuou entre 2006 e 2009 como professor de música na Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, onde idealizou e coordenou o projeto “Som da Cidade”, o grupo “Tamborilando – tambores em rede” e os “Centros Musicais” junto à Secretaria Municipal de Educação e à EMEF Neusa Goulart Brizola, atuando no estabelecimento de um currículo plural de ensino de música. Em 2009 atuou como professor do Departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina – PR, junto a área de Metodologia e Prática de Ensino e coordenou o projeto de extensão: Identidade e Culturas Juvenis: agregando escola e comunidade na busca da transformação social.


Também atua como arranjador e compositor para composições corais, com ênfase em coros juvenis, tendo participado de coletâneas como Música Brasileira para Coro Juvenil (Funarte, 2010), além de ter arranjos selecionados para o Festival Internacional de Coros de Belo Horizonte. Suas obras são cantadas por coros juvenis de todo o Brasil. http://www.funarte.gov.br/funarte/serie-de-coro-juvenil/






Participou de diversos discos como cantor, violonista e arranjador em trabalhos de Marcelo Delacroix (Depois do Raio, 2005), Arthur de Faria (Antígona, 2004), Alexandre Vieira (Chacarera Blues, 2005), Zé da Terreira (Quem tem boca é pra cantar, 2001), Karine Cunha (Fluida, 2005), Café Acústico (Café Acústico, 2000), Orquestra de Flautas Villa-Lobos (Olhos Coloridos, 2008), III Fórum Social Mundial (Um outro mundo é possível, 2003), II Festival de Música de Porto Alegre (II Festival de Música de Porto Alegre, 1999).

Lançou “Palavreio”, seu Cd-livro de estréia, considerado um dos dez melhores discos brasileiros de 2008 (Jornal Zero Hora, 16/12/2008 e ABC Domingo, 28/12/2008), vencedor do Troféu Açorianos de Música, categoria Relevação e Troféu RBS Cultura, Menção Honrosa.



Em 2009 ingressou na carreira de professor universitário e tornou-se pai, sempre mantendo intensa atividade artística. Relançou “Palavreio” com patrocínio da CEEE, com turnê pelo SESC-RS e participou do conceituado projeto Unimúsica ao lado de nomes como Lenine, Arnaldo Antunes, Kassin e Kristoff Silva.

Em 2010 participou como convidado especial de Ivan Lins na ocasião do lançamento do Cd “Perfil”, no Theatro Guarany, em Pelotas e Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre. 



Também neste ano torna-se parceiro de André Mehmari e forma o trio “Nó de Pinho”, com os premiados músicos Paulo Gaiger e Thiago Colombo de Freitas, enfatizando a música gaúcha como base para sua produção.



Em 2011 participou das gravações do recém lançado CD Canteiro, de André Mehmari, com quem gravou as canções “Luzidia”, “Valsa Russa” e “Sal Saudade”.



CANTEIRO - André Mehmari - EPK from André Mehmari on Vimeo.

Suas composições “Suíte Maria Bonita”, “Bolero da Procura” e “Sobressalto de Ismália”, ainda inéditas estarão no próximo disco de Leandro Maia intitulado “Suíte Maria Bonita e Outras Veredas”, em fase de pré-produção.



Também neste ano compôs e gravou a trilha do filme “O Mar do Poeta” (Alan Mendonça), ao lado de Pedrinho Figueiredo.



Em 2012 realizará shows junto ao projeto “Gauchada Sul Gêneris”, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro ao lado de nomes como Renato Borghetti, Marcelo Delacroix e Gisele de Santi e tem apresentações previstas no Teatro Nacional da Costa Rica, ao lado do cantautor Dionísio Cabal. Também participa do CD do fagotista Fábio Mentz, em fase de finalização.


Neste ano pretende lançar seu primeiro disco infantil, intitulado “Mandinho”, com ilustrações de André Macedo.  Ainda em 2012 deve iniciar as gravações de seu segundo Cd autoral, “Suíte Maria Bonita e Outras Veredas”, onde aprofunda o conceito de “Canção de Câmara Brasileira”, aprofundando a interface entre as tradições erudita e popular.

Leandro Maia vive na cidade de Pelotas/RS onde se dedica ao trabalho artístico, à produção cultural e à docência junto à Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).

Prêmios e títulos
2009
Prêmio Açorianos de Música 2008 - Revelação, Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.
2009
Menção Honrosa – Troféu RBS Cultura.
2007
Troféu Destaque do Mês - Programa Lugar de Criança é na Família e na Escola, Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
2000
Prêmio Açorianos de Música – Melhor Grupo MPB, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
1999
Prêmio Açorianos de Música – Melhor Grupo MPB. Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
1999
Premiação UFRGS 65 anos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
1999
II Festival de Música de Porto Alegre, Secretaria Municipal da Cultura (SMC).




Sobre Palavreio


“Um dos 10 melhores discos brasileiros de 2008. Leandro Maia estreou unindo letra e música com maestria em Palavreio”
(Jornal Zero Hora, Segundo Caderno, Retrospectiva 2008: Os melhores discos, 16/12/2008)
“Revela-se um compositor preparado. O disco é aberto, tem os pés no Rio Grande, anda pelo Brasil e pelo mundo. Milongas convivem com sambas e zambas, há valsa, há rock, sem falar nas familiaridades eruditas. Há grande música e há naturalidade. A letras dimensionam os ritmos e acentuam o diferencial de Leandro como meticuloso arquiteto da canção. Camões, Simões Lopes Neto, Villa-Lobos, Drummond, Beatles e outros próceres passeiam à vontade pelo trabalho. Leandro Maia chega para ficar.”
(Juarez Fonseca, Revista Aplauso, janeiro de 2009)
 “Compositor deste nosso tempo, ele sabe que está lidando com uma forma com história intensa, densa; sabe e promove em seu disco uma repassada por vários gêneros e estilos, sempre aliando invenção musical com invenção poética. Por isso, o CD tem um encarte que é um pequeno livro, que não se limita a trazer as letras cantadas; também por isso o CD, que se deixa ouvir como se fosse mero pano de fundo musical, proporciona outra escuta, atenta, focada, como se exige de um livro ou de um concerto; por isso, enfim, é um CD precioso, que dá e comenta música e poesia, a canção.”
(Luís Augusto Fisher, Zero Hora, 23/12/2008)
 "O trabalho de composição, arranjos, interpretação, enfim, o conjunto de idéias que ele apresenta em Palavreio, seu primeiro disco, é que configuram uma verdadeira revelação. Revelam algo que não conhecíamos, surpreendem com uma qualidade, uma energia, um frescor, e ao mesmo tempo uma maturidade que desde já posicionam Leandro entre os músicos gaúchos de exceção. (...) A arquitetura musical de Leandro Maia é a grande novidade de 2008."
(Juarez Fonseca, Jornal ABC, 30/11/2008).
 "Um dos melhores letristas da nova geração musical de Porto Alegre."
(Daniel Soares, Correio do Povo, 17/10/2008).
 "Palavreio reúne canções bem acabadas que tratam a melodia e a letra com clareza e cortesia."
(Mônica Kanitz, Jornal do Comércio, 17/10/2008).
 "Leandro Maia é um artista de letra e melodia (...). Tudo isso aparece em Palavreio, um disco em que a diversidade musical e virtude poética estão intimamente ligados."
(Luís Bissigo, Zero Hora, 14/10/2008).



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“Nessa vida onde sobram sertões
Ainda quero uma vista pro mar
E essa língua de luso-ilusões
Navegar.”


Canais

Orkut: Leandro Maia Palavreio
Comunidade/Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpn&cmm=101452717


domingo, novembro 20

Matéria no Estadão sobre Canteiro

Mehmari em letra e canto

Pela primeira vez, André Mehmari lança CD duplo inteiramente dedicado à canção

20 de novembro de 2011 | 7h 00

Lucas Nobile - O Estado de S.Paulo
Hermeto Pascoal diz que "um instrumentista não pode ser instrumento de seu próprio instrumento". André Mehmari é um dos maiores sabedores disso em sua geração. As 88 teclas do piano nunca o limitaram e ele sempre as usou a serviço da emoção e da originalidade. Consagrado no campo da música instrumental, aos 34 anos, ele lança o disco duplo Canteiro, um trabalho autoral dedicado à canção.
Além do piano. Compositor toca violão, viola, violino, acordeom, charango e contrabaixo - Zeca Wittner/AE
Zeca Wittner/AE
Além do piano. Compositor toca violão, viola, violino, acordeom, charango e contrabaixo
Mehmari, que sempre compartilhou alumbramentos por meio de melodias e harmonias, tem, enfim, temas revestidos de versos e vozes. O que já fora revelado de modo mais tímido - em Eternamente (parceria com Rita Altério) e O Voo da Bailarina (com Cristina Saraiva), no disco Piano e Voz (2005), de Mehmari e Ná Ozzetti -, aparece agora inteiramente com o compositor criando músicas que receberam letras e canto de parceiros e intérpretes, respectivamente.

"Eu venho compondo há um longo tempo. Esse lado de cancionista se intensificou nos últimos três, quatro anos. A canção sempre esteve amalgamada à minha produção instrumental. Eu já naveguei muito neste universo e quero investir nesse cancioneiro, que é a grande riqueza do País. Penso em uma continuidade, um Canteiro II", diz Mehmari.

Nas 30 faixas do disco, ele conta com parceiros, intérpretes e instrumentistas com estilos bem diferentes entre si, passando por diversos gêneros musicais, como bossa nova, valsa, frevo, fado, baião, entre outros.
No álbum, Mehmari assina parcerias com Carlos Fernando (À Beira da Canção e Insisto), Tiago Torres da Silva (Apenas o Mar e Meia Lágrima), Sérgio Santos (Baião de Reza, Última Valsa e Vento Bom), Bernardo Maranhão (O Cântico dos Quânticos, Cruce, Desalvorada, Amor da Terra, Pra Amada Imortal e Festa dos Pássaros), Silvio Mansani (Clara e Florbela), Makely Ka (Guardar), Rita Altério (Ida e Volta), Simone Guimarães (Ninguém Compreende), Luiz Tatit (Brilha o Carnaval, Tentar Dormir e Modular Paixões), Arthur Nestrovski (Viagem de Verão), Leandro Maia (Valsa Russa, Sal Saudade e Luzidia).

Além das tabelinhas - em 80% das vezes tendo a música como ponto de partida, ganhando versos depois -, Mehmari também se revela completo, compondo sozinho em Velha Inquietude.

O disco não nega a tradição europeia, mas é essencialmente brasileiro. Com uma estética bem definida, Canteiro tem a maioria de suas faixas imagéticas e cinematográficas, literalmente bem amarradas por um fio condutor. Literalmente, porque Mehmari liga algumas músicas por um som proposital conseguido pela região mais aguda do acordeom.

Outro ponto interessante em Canteiro é o fato de Mehmari tocar diversos instrumentos em várias faixas do disco. Não que o piano tenha ficado pequeno para ele. Trata-se de uma opção, com o compositor gravando em alguns momentos violão, flauta, acordeom, rhodes, viola, violino, contrabaixo e fazendo também programações de bateria.

Além, obviamente, de assinar os arranjos, Mehmari é responsável pela gravação, mixagem e masterização do disco, graças às facilidades de ter um ótimo estúdio montado em casa.

"Eu quis buscar a simplicidade e deixar a canção falar mais alto. Por isso a escolha de tocar instrumentos nos quais eu não tenho a mesma facilidade que tenho no piano. Se este disco fosse gravado por uma orquestra profissional, teria outro som. Comigo tocando vários instrumentos, com o meu jeito 'errado' de tocar, como em Valsa Russa, a gente tem o som como se fosse de uma orquestrinha idiossincrática", comenta Mehmari.

Canteiro também conta com instrumentistas de grande respeito, como Sérgio Reze, Neymar Dias, Teco Cardoso, Hamilton de Holanda, Luca Raelle, Chico Pinheiro, além de participação estupenda da Orquestra à Base de Sopro de Curitiba, no frevo Brilha o Carnaval, no qual Mehmari "quis dar enfoque à sua caneta de arranjador".

No disco, alguns dos compositores cantam seus próprios temas, como Sérgio Santos, Silvio Mansani, Simone Guimarães, Leandro Maia e Luiz Tatit. Canteiro tem ainda gravações de intérpretes de peso, como Mônica Salmaso (Apenas o Mar e Modular Paixões), Ná Ozzetti (Festa dos Pássaros), Jussara Silveira (Viagem de Verão), o argentino Carlos Aguirre (Cruce) e o português Antonio Zambujo (Meia Lágrima).
Outra novidade do álbum é Mehmari cantando. Ele, que já havia dado demonstrações de sua voz, assume o papel de intérprete em oito faixas do CD. Com o ano terminando, Canteiro deve chegar aos palcos apenas em 2012, tendo como benefício a possibilidade de ser apresentado em diversas formações.

André Mehmari - CANTEIRO CD 2 (trechos/samples)

André Mehmari - CANTEIRO CD 2 (trechos/samples)

André Mehmari - CANTEIRO CD 2 (trechos/samples) by André Mehmari

quarta-feira, outubro 12

Participação no CD "Canteiro", de André Mehmari

Um orgulho enorme participar deste trabalho.

Temos três parcerias gravadas neste grande disco, músicas do André Mehmari com letras minhas:

- Sal, Saudade (Mehmari/Maia) - Homenagem a Dorival Caymmi. Leandro Maia (violão), André Mehmari (voz)
- Luzidia - Leandro Maia (violão e voz), André Mehmari (piano), Neymar Dias (contrabaixo).
- Valsa Russa - Leandro Maia (voz), André Mehmari (piano, violinos, viola, flauta, flautim, percussão, celesta, e mais um monte de coisas....) Confiram no Vídeo!!!







É possível baixar as letras e partituras no site do André Mehmari: www.andremehmari.com.br

http://www.andremehmari.com.br/new/paginas/frameset%20novidades.html




Letras em http://www.andremehmari.com.br/new/IMAGENS/canteiro%20especial/Mehmari_Canteiro_Letras.pdf

quarta-feira, junho 22

POÉTICA DA CANÇÃO - DIA 29 DE JUNHO - 19:30 - no Conservatório de Música da UFPEL

Leandro Maia ministra palestra sobre composição e análise de canções: A ação integra o projeto Palavreio, financiado pelo Procultura


Com o título “POÉTICA DA CANÇÃO BRASILEIRA”, Leandro Maia aborda a canção popular brasileira por dentro, analisando as relações existentes entre letra e música a partir de sua vivência como compositor e educador.

Tendo como base o trabalho “Quereres de Caetano: da canção à Canção”, defendido como dissertação de Mestrado em Literatura na UFRGS, Leandro Maia comenta gestos composicionais de adequação entre melodia e texto, apontando características da linguagem da canção, procedimentos de análise e fundamentos para a interpretação musical.

Público alvo: cantores, compositores, letristas, poetas, jornalistas, estudantes, educadores e interessados.




Sobre Leandro Maia

Cantor, violonista e compositor. Mestre em Letras - Pós Graduação em Literaturas Brasileira, Portuguesa e Luso-Africanas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com a dissertação Quereres de Caetano: da canção à Canção, 2007. Especialista em Letras - Práxis da Criação Textual, no Centro Universitário Ritter dos Reis, com a monografia A palavra-canto é uma ponte, 2004. Licenciado em Música, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o trabalho de conclusão O professor de música no trânsito entre dois mundos, 2002. Prêmio Açorianos – Revelação e Troféu RBS Cultura pelo Cd-Livro “Palavreio”. Vem realizando palestras e conferências no Brasil e no exterior sobre o tema ‘Poética da Canção’, palestra-show que já foi apresentada em diversos eventos e universidades do exterior, junto ao Foro Latinoamericano de Educación Musical (FLADEM) e Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM).
Também atua como regente, arranjador e compositor para formações corais, com ênfase em coros juvenis, tendo participado de coletâneas como Música Brasileira para Coro Juvenil (Funarte, 2010), além de ter arranjos selecionados para o Festival Internacional de Coros de Belo Horizonte. Seus trabalhos são cantados por grupos vocais de todo o Brasil.
Lançou “Palavreio”, seu Cd-livro de estréia, considerado um dos dez melhores discos brasileiros de 2008 (Jornal Zero Hora, 16/12/2008 e ABC Domingo, 28/12/2008), vencedor do Troféu Açorianos de Música, categoria Relevação e Troféu RBS Cultura, Menção Honrosa.
Reside em Pelotas, Rio Grande do Sul, onde se dedica ao trabalho artístico, à produção cultural e à docência junto à Universidade Federal de Pelotas, no curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância.







Fotos: Unimúsica-UFRGS-2009 - Série Cancionistas

quinta-feira, junho 16

terça-feira, maio 17

Parceria entre Leandro Maia e o jornal Diário Popular promove venda do CD Palavreio

“Comprando uma edição do jornal mais R$ 14,90, a pessoa pode adquirir o CD Palavreio”


O show que acontecerá em Pelotas no dia 20 de maio, às 21h, será transmitido, ao vivo, pela internet, pelo blog www.palavreio.blogspot.com


Assista ao vídeo de divulgação do show:
http://youtu.be/R9eqxRaVIKM


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Pontos de venda do CD:


PELOTAS
Abastecedora Avenida
Banca Voluntários
Revistaria Bandeira
Revistaria Duque Canteiro
Revistaria Big Bem
Revistaria Ler e Lazer
Revistaria Águia Branca
Revistaria Kiosco
Zé Colmeia

ARROIO GRANDE
Banca da Praça

BAGÉ
Banca Pravoceler
Livraria Leb
Revistaria Central

CANGUÇU
Posto de Conveniência Fita Azul

HERVAL
Livraria Foto Gilson

JAGUARÃO
Cigarraria Tulipa
Cigarraria Prietsch
Tabacaria 27

PINHEIRO MACHADO
Loja Fox Vídeo

PEDRO OSÓRIO
Loja Giro Rápido
Loja Conveniência Bento Gonçalves

PIRATINI
Cigarraria Valerio

RIO GRANDE
Saúde Vital
Estação Rodoviária
Banca do Canalete
Abrigolândia

SANTA VITÓRIA DO PALMAR
Supermercado Langoni
Shopping Milano

SANTANA DA BOA VISTA
Loja de Variedade

SÃO LOURENÇO DO SUL
Super lampes
Loja Diário

segunda-feira, maio 16

Leandro Maia e Diário Popular fecham parceria

Em um mundo digitalizado e movido pela tecnologia, gravar um CD não é mais um bicho-de-sete-cabeças. O grande desafio dos músicos, principalmente independentes, passou a ser outro: baratear o custo do produto e disponibilizá-lo ao consumidor. A fim de achar uma solução para esses empecilhos, que acabam impedindo a proliferação de novos talentos, o cantor Leandro Maia firmou parceria com o Diário Popular, resolvendo o problema de custo e acessibilidade do CD-livro Palavreio, onde quem ganha é o leitor do jornal.

Até o dia 20 de maio ou enquanto durarem os estoques, assinantes com pagamento em dia podem adquirir o disco a R$ 9,90. A venda acontece direto no Departamento de Assinaturas da empresa, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30min às 18h, na rua 15 de Novembro, 718. Só será permitida a aquisição de um disco por assinante ativo.




Link para a matéria no DiárioPopular de Pelotas:



domingo, maio 15

Leandro Maia faz seu "Palavreio" em Pelotas



Cantor e compositor Leandro Maia lança o premiado Cd-livro “Palavreio” com show no Theatro Guarany. O evento tem entrada franca, é financiado pelo Procultura/SECULT e será transmitido ao vivo pela internet (pelo twitter: siga @leandro_maia)

Considerado um dos dez melhores discos brasileiros de 2008 pela imprensa da capital, Palavreio é um cd grávido de um livro e apresenta canção impregnada de literatura. A obra caracteriza-se como um tratado autoral em três partes sobre canção brasileira: Palavra de Papel (poemas), Palavra Dita (poemas recitados) e Canção, onde realiza o percurso da palavra falada à palavra cantada. Palavreio tem a produção musical de Pedrinho Figueiredo, integrante do quarteto de Renato Borghetti há 20 anos, e ilustrações de Jorge Herrmann, músico e artista plástico de prestígio na capital gaúcha. O disco conta com diversas participações especiais, como Hique Gomez (Tangos e Tragédias), Luciano Maia (Quartcheto) e Ernesto Fagundes (Os Fagundes), além de trazer a sonoridade de mais de 20 músicos do primeiro time do cenário gaúcho.

Dialogando com poetas, escritores e compositores como Luís de Camões, João Simões Lopes Neto, Manuel Bandeira, Mário Quintana, João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Noel Rosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Vitor Ramil, entre outros, Leandro Maia depura o conceito de antropofagia e tropicalismo, misturando formas eruditas e populares. Em suas canções aparecem citações de Villa-Lobos, Lennon e Mcartney, Richard Wagner, J.S. Bach, Kurt Cobain, além de literatura de cordel, haikai e poesia concreta. Esta pluralidade de manifestações culturais - que ocorre de forma orgânica e bem articulada - condiz com o próprio fenômeno da canção brasileira: híbrida e bela, mestiça e única, sofisticada e simples. Este trabalho também rendeu a Leandro Maia o Prêmio Açorianos de Música na categoria Revelação.

O público pelotense, que teve a oportunidade de conhecer Leandro Maia como convidado especial de Ivan Lins em novembro passado, agora tem a chance de conferir o trabalho compositor gaúcho na íntegra e com entrada franca, além da participação especialíssima do acordeonista pelotense Luciano Maia.

A banda é formada por grandes nomes da música gaúcha: Leandro Maia (voz e violão), Pedrinho Figueiredo (Flauta, Sax e direção musical), Michel Dorfman (piano e teclado), Miguel Tejera (Baixo), Mimmo Ferreira (percussão) e Luke Faro (Bateria). Participações especiais de Marcelo Delacroix (voz), Andréa Cavalheiro (voz) e Ângelo Primon (guitarra). Figurinos de Sandra Possani, Chico de los Santos e Heinz Limaverde. Iluminação e Projeções de Fernando Ochôa. Produção Executiva de Alexandre Mattos.

No dia posterior ao show, haverá diversos workshops com os músicos da banda. As atividades são destinadas a músicos, estudantes de música e interessados. Os workshops tem entrada franca com inscrição prévia no Conservatório de Música da UFPEL. Maiores informações sobre as atividades no blog palavreio.blogspot.com.

Serviço:
Show de Lançamento do CD Palavreio de Leandro Maia
20/05/2011 – 21h
Theatro Guarany - Pelotas.
Entrada Franca – Única Apresentação.


IMPRENSA – releases, fotos e entrevistas: palavreio@gmail.com


www.myspace.com/palavreio
www.palavrio.blogspot.com www.youtube.com/palavreiodejavu
www.leandromaia.com.br www.twitter.com/leandro_maia





Workshops
Informações
Conservatório de Música da UFPEL - (53) 3222-2562





Título: Tecniquês para Músicos – Pedrinho Figueiredo
Local: CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DA UFPEL - Auditório
Data: 21 de Maio de 2011
Hora: 11h
120 VAGAS

_Para instrumentistas, cantores, técnicos de som, produtores, estudantes e interessados, ministrada por Pedrinho Figueiredo. Súmula: microfonação e captação de instrumentos musicais; acústica de ambientes de gravação e apresentação; softwares de gravação, edição, mixagem e masterização.




Título: Rudimentos Aplicados aos Ritmos Brasileiros (Bateria) – Luke Faro
Local: CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DA UFPEL – Sala 6
Data: 21 de Maio de 2011
Hora: 9h
20 VAGAS

_Para músicos, estudantes e interessados, ministrada por Luke Faro. Súmula: técnica de bateria; história e contextualização da proposta; introdução ao estudo de rudimentos; aplicação do estudo técnico à performance de ritmos brasileiros; arranjos de percussão e bateria; a percuteria.


Título: Harmonia e Improvisação – Michel Dorfman
Local: CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DA UFPEL – Auditório da UFPEL
Data: 21 de Maio de 2011
Hora: 9h
Auditório ou Sala 1 do anexo: Gal Netto
30 Vagas


_Para instrumentistas, compositores, arranjadores, estudantes e interessados, ministrada por Michel Dorfman e Miguel Tejera. Súmula: harmonia funcional; sobreposição de acordes; harmonização de melodias; escalas e técnicas de improvisação; o piano na música instrumental brasileira.




Título: Preparação Musical de Atores e Bailarinos – Marcelo Delacroix e Andréa Cavalheiro
Local: Tablado (antigo Thol)- Rua Alm. Tamandaré (A confirmar local)
Data: 21 de Maio de 2011
Hora: 10h
Importante: Levar um instrumento musical ou objeto sonoro (latas, panelas, etc...)


_Para atores, bailarinos, diretores teatrais, coreógrafos e interessados, ministrada por Marcelo Delacroix e Andréa Cavalheiro. Técnica vocal, percepção musical. Relação entre ambiente sonoro e espaço cênico. Princípios para criação de trilha sonora e realização musical ao vivo.


Título: Produção Musical de Discos e Trilhas – Ângelo Primon
Local: Conservatório de Música da UFPEL – Anexo – Sala 1
Data: 21 de Maio
Hora: 9h


_Princípios basilares para a produção musical em estúdio para a gravação de CDs e filmes. Ministrada por Ângelo Primon e Glauco Minossi. Criação musical. Produção. Constituição da narrativa sonora do filme. Exemplos de curta-metragens gaúchos.


Título: Percussão e Projetos Sociais - Mimmo Ferreira
Local: Auditório do IAD/UFPEL – a confirmar local.
Data: 21 de maio
Hora: 9h
40 vagas


_Destinada a crianças e jovens de projetos sociais e pontos de cultura de Pelotas que desenvolvem atividades musicais em comunidades periféricas. Ministrada por Mimmo Ferreira. Ritmos brasileiros, criação e improvisação de jogos musicais, elementos básicos de técnica e coordenação motora.



sexta-feira, abril 29

Agenda

Fique ligado na agenda dos próximos dias:

3o de abril:
Santa Maria - Estética e Valor Simbólico
Colégio Marista de Santa Maria - 9h
Veja o link:
http://culturaparaoriograndecrescer.blogspot.com/p/programacao.html

Programa de Kleiton Ramil com "Palavreio":
Programa O SUL EM CIMA 11

Ouça:
Rádio Roquette Pinto - sábado das 20 às 21 hs
Rio de Janeiro
http://www.fm94.rj.gov.br

Rádio Alfa FM, aos domingos, das 07h30 as 08h30min
Pelotas/RS -
http://alfafm.ucpel.tche.br/

Rádio Universidade AM, aos domingos, das das 20 as 21hs
Pelotas/RS
http://www.radiouniversidadeam.com.br/content/index.php

Rádio USP
São Paulo/SP
todos os domingos das 15h00 às 16h00
http://www.radio.usp.br/
http://www.radio.usp.br/programa.php?id=96 (página do programa)
OBS: Ficam disponíveis os arquivos com todos os programas transmitidos.

Rádio Cidade Nova FM
Belo Horizonte/MG
todos os domingos das 20h00 às 21h00
http://www.radiocidadenovafm.com.br/


02 de maio :
Seberi - Abordagens de Pesquisa em Educação
Polo UAB - 19h

03 de maio :
Camargo - Abordagens de Pesquisa em Educação
Polo UAB - 19h

04 de maio :
Serafina Correa - Abordagens de Pesquisa em Educação
Polo UAB - 19h

05 de maio :
Constantina - Abordagens de Pesquisa em Educação
Polo UAB - 19h

10 de maio :
Cachoeira do Sul - Abordagens de Pesquisa em Educação
Polo UAB - 19h

11 de maio :
Arroio dos Ratos - Abordagens de Pesquisa em Educação
Polo UAB - 19h

20 de Maio - Show "Palavreio" em Pelotas Theatro Guarany - 21h - Entrada Franca.










21 de Maio :
Pelotas- Workshops Palavreio com Entrada Franca.

26 a 29 de maio - Fórum Paulo Freire
Santa Rosa

30 de de maio :
Panambi - Abordagens de Pesquisa em Educação
Polo UAB - 19h

31 de maio :
Encantado - Abordagens de Pesquisa em Educação
Polo UAB - 19h

domingo, março 27

Publicação 27 de março

ALDEIA


por Juarez Fonseca




78 minutos de grande música



Antes do show do André Mehmari Trio,quarta-feira próxima no Theatro São Pedro, podemos preparar os ouvidos ouvindo Gismontipascoal – A música de Egberto e Hermeto, seu segundo disco com Hamilton de Holanda, lançado há pouco. Eles são, hoje, talvez os mais completos músicos do Brasil em seus instrumentos. Mehmari toca um piano que impressiona pela precisão, a delicadeza, a elegância, o colorido, o frescor. Hamilton e seu bandolim de dez cordas (“inventado” por ele) chegam a alturas de qualidade e expressão que superam qualquer outro nome desse instrumento. São brilhantes, e têm a ousadia e a disposição irrefreável dos jovens. É preciso ter muita confiança para, ao homenagear os mestres, postar-se à altura deles,dois de nossos mais complexos, personais e sofisticados compositores. O disco é feliz desde o trocadilho do título, que remete ao primeiro pedaço de terra avistado por Cabral em 1500, no descobrimento do Brasil. Mais do que no primeiro disco da dupla (Contínua Amizade, 2007), piano e bandolim conseguem aqui uma interação que aos meus ouvidos soa perfeita. Mesmo sendo instrumentos tão incomuns para duo, eles se entendem como se tivessem nascido juntos. Não há sobreposições, nenhum aparece mais que o outro, ambos se identificam 100% e isso é o que vale. Seja para músicas mais rápidas, como, de Hermeto, o choro Bebê e a “nordestina” Santo Antônio, e mais lentas, como as de Gismonti Memória e Fado e a reflexiva Fala a Paixão, em que ele participa ao violão. Em temas particularmente “difíceis”, como Intocável (Hermeto) e Frevo (Gismonti), não é diferente. A grande música jorra durante 78 minutos, desde a primeira parceria da dupla, a bela composição que dá título e abre o álbum, repetida ao final com outro arranjo, passando por dois temas deles para os homenageados, até composições mais conhecidas como Palhaço (Gismonti). Música das Nuvens e do Chão, de Hermeto, com a presença do Bruxo fazendo de tudo (percussão na mesa, trombone de boca etc), fecha um disco do tipo raro. A capa tem um desenho do acervo da famíliaPortinari; lançamento do selo Brasilianos. Mas o show no Theatro São Pedro (“Adoro aquele piano”, diz Mehmari) é outra história, não tem bandolim: o jazz-trio, com Zé Alexandre no baixo e Sérgio Reze na bateria, tocando as músicas do inédito disco Afetuoso, que no final de abril eles vão lançar no Japão. Às 21 horas, de 20 a 60 reais, infos 3227-5100.