Domingo, Janeiro 15

Luís Antônio Castagna Maia (16/12/1964 - 14/01/2012)






Advogado cível, considerado o maior nome de Direito Previdenciário no país, Luís Antônio Castagna Maia nasceu em 16/12/1964, na cidade de Gaurama/RS. Irmão do meio, filho do bancário Antônio Brasil Ferreira Maia e da dona de casa Antonieta Castagna Maia, passou boa parte da infância mudando-se para diferentes cidades do interior gaúcho, acompanhando as transferências do pai, gerente substituto do antigo Banco Agrícola, mais tarde Unibanco. A relação com bancários e o trânsito por várias cidades se fizeram constantes em sua vida.

Desde cedo demonstrava grande inquietação com o mundo, rebeldia e grande intensidade existencial. Aos 13 anos começou a trabalhar. Aos 14 bateu o carro que pegara do pai sem autorização. Aos 15 iniciou sua trajetória no Banco do Brasil, como menor aprendiz. Aos 17 anos, prestes a se mudar para Porto Alegre com a família, tornou-se pai. Aos 18 anos ingressou como efetivo no mesmo Banco do Brasil através de concurso público. Já como menor aprendiz, frequentava o movimento estudantil e sindical na serra gaúcha, aproximando-se de diversos movimentos políticos ligados à gênese do Partido dos Trabalhadores. Também aos 18 anos ingressa no Curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS).

Atuou intensamente no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, onde comandou greves e atuou sob a liderança de nomes como Olívio Dutra e companheiros como Sérgio “Jacaré” Metz (falecido letrista do grupo Tambo do Bando), em plena efervescência do movimento sindical dos anos 80 – que viriam desencadear a primeira candidatura de Lula à Presidência. Em meio à disputa eleitoral no segundo turno da eleição de 89, Luís Antônio Maia – mais conhecido pelos companheiros como Maia – cunhou o célebre slogan “Brizola no Coração, Lula lá” mobilizando eleitores do campo progressista num dos poucos estados onde Collor não vencera a eleição. Aos 23 anos de idade, Maia era o mais jovem coordenador do DIEESE até então. Foi também Secretário Geral do Sindicato dos Bancários e Diretor da Executiva da CUT entre os anos de 1989 e 1991.

Mudou-se para Brasília ainda nos anos 90, para fundar o GAREF: Gabinete dos Representantes dos Funcionários. Retoma os estudos de Direito junto à Universidade de Brasília (UnB), e formado deixa o banco para assumir a trajetória de advogado combativo junto às Federações de Sindicatos e associações de Fundos de Pensão, tornando-se referência também em Direito Previdenciário. Funda o escritório “Castagna Maia Advogados Associados” e inova ao adotar o contato direto com os clientes através do primeiro blog de escritório de Advocacia no Brasil, também caracterizado como um espaço de opinião, discussão e poesia – uma das suas grandes paixões.

Luís Antônio Castagna Maia sempre foi um leitor voraz e inquieto, constituindo sua base de pensamento desde Pontes de Miranda e Padre Antonio Vieira, passando pelos grandes poetas brasileiros como Vinícius de Moraes, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade, seu preferido.  Leituras numerosas e profundas. São lembradas pelos amigos suas intensas interpretações de poemas como “A Flor e a Náusea”, “Os Ombros Suportam o Mundo”, “A Bruxa”, dentre tantos outros poemas do mestre itabirano recitados de memória, como uma partitura construída de forma consistente e bastante própria. Densa e encantadora.

Ainda no âmbito das artes, tinha formação e ouvido musical apurado, tendo estudado violão erudito durante a infância na cidade de Vacaria/RS – uma das tantas cidades pelas quais passou. Dono de uma cultura musical invejável, também se aventurava com êxito ao cantar tangos, habilidade adquirida nas boêmias casas noturnas de Porto Alegre nos tempos de sindicato. Cambalache, Vuelvo al Sur, Balada para un Loco e Por una Cabeza, figuravam no repertório deste apaixonado pelo eixo Buenos Aires – Paris, tal como Astor Piazzolla, seu predileto. Seus dentes - mais separados na frente - lhe possibilitavam um assovio grave e airoso, acionado como recurso para lembrar de alguma melodia antes de entoar lindamente uma letra completa. Quando não assoviava, sorria. Quando não sorria, brandia contra a injustiça. Sabia também ser irônico e ácido quando necessário. Sabia como ninguém ser amoroso e gentil. Seu humor era perspicaz e espirituoso. Sua franqueza, fatal.

Estudioso e obsessivo com os livros, Maia era detentor de grande poder retórico e criatividade. Suas argumentações e petições jurídicas apresentavam por vezes vários tomos encadernados. Cada causa, uma tese. Cada tese, uma paixão. Nunca advogou a contragosto ou sem profunda convicção. Defendeu a saúde dos bancários, assolados pela L.E.R – Lesões por Esforços Repetitivos, grande mal da categoria. No âmbito da previdência complementar, defendeu aposentados e pensionistas do olhar fraudulento de diretorias e governos, que viam nos Fundos de Pensão a possibilidade de captação imoral de recursos à custa do labor alheio. Defendeu Petroleiros, Comerciários, Bancários e Aeronautas de forma incansável. Denunciou a privatização de plataformas de Petróleo. Analisava a conjuntura nacional a cada movimento. Dormia pouco, mas sonhava muito.

Luís Antônio Castagna Maia nos deixa, na flor de seus intensos 47 anos, vítima de um câncer fatal, diagnosticado no dia 11 de setembro de 2009. Desta vez, foi uma torre brasileira que sofreu o atentado. Mas ruiu aos poucos e caiu de pé. Uma torre em queda, mas um farol que ainda ilumina a vida de milhares de pessoas de todas as partes do Brasil. Um farol que nos ensina o valor da vida e da dignidade humana. Uma luz que não se apaga.

Com muita dor, muito amor e as melhores memórias,
Seus Amigos e Familiares

Brasília, 14 de janeiro de 2012.






Sábado, Dezembro 31

Trabalhos Desenvolvidos - Release de Leandro Maia



      Cantor, violonista e compositor. Mestre em Letras - Pós Graduação em Literaturas Brasileira, Portuguesa e Luso-Africanas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com a dissertação Quereres de Caetano: da canção à Canção, 2007. 
Especialista em Letras - Práxis da Criação Textual, no Centro Universitário Ritter dos Reis, com a monografia A palavra-canto é uma ponte, 2004. 
Licenciado em Música, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o trabalho de conclusão O professor de música no trânsito entre dois mundos, 2002. Prêmio Açorianos – Revelação e Troféu Cultura RBS pelo Cd-Livro “Palavreio”. 
......


      Atuou como violonista, cantor, arranjador e compositor do quinteto de música popular de câmara “Café Acústico” (1998 a 2001), com o qual recebeu dois prêmios Açorianos de Música, na categoria Melhor Grupo de MPB (1999 e 2000) e venceu a segunda edição do Festival de Música de Porto Alegre (1999). No teatro, trabalhou como Diretor Musical do espetáculo “Ópera dos Mendigos” do núcleo de formação de atores do Depósito de Teatro (2007) e atuou como cantor no espetáculo “Antígona”, dirigido por Luciano Alabarse (2004) com música de Arthur de Faria.


Assinou a trilha sonora e a direção musical do espetáculo “Penélope Bloom”, uma produção Brasil-Costa Rica baseada na obra “Ulisses” de James Joyce, dirigida pelo costarriquenho Gerardo Bejarano. Esta obra foi contemplada com o Prêmio Myriam Muniz Funarte/Petrobrás.




Em 2005 foi representante do RS na Câmara Setorial de Música, eixo Formação, participando ativamente do movimento pela inclusão da Música nas escolas. http://www.cultura.gov.br/cnpc/wp-content/uploads/2009/03/relatorio-inaugural-musica.pdf

Atuou entre 2006 e 2009 como professor de música na Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, onde idealizou e coordenou o projeto “Som da Cidade”, o grupo “Tamborilando – tambores em rede” e os “Centros Musicais” junto à Secretaria Municipal de Educação e à EMEF Neusa Goulart Brizola, atuando no estabelecimento de um currículo plural de ensino de música. Em 2009 atuou como professor do Departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina – PR, junto a área de Metodologia e Prática de Ensino e coordenou o projeto de extensão: Identidade e Culturas Juvenis: agregando escola e comunidade na busca da transformação social.


Também atua como arranjador e compositor para composições corais, com ênfase em coros juvenis, tendo participado de coletâneas como Música Brasileira para Coro Juvenil (Funarte, 2010), além de ter arranjos selecionados para o Festival Internacional de Coros de Belo Horizonte. Suas obras são cantadas por coros juvenis de todo o Brasil. http://www.funarte.gov.br/funarte/serie-de-coro-juvenil/






Participou de diversos discos como cantor, violonista e arranjador em trabalhos de Marcelo Delacroix (Depois do Raio, 2005), Arthur de Faria (Antígona, 2004), Alexandre Vieira (Chacarera Blues, 2005), Zé da Terreira (Quem tem boca é pra cantar, 2001), Karine Cunha (Fluida, 2005), Café Acústico (Café Acústico, 2000), Orquestra de Flautas Villa-Lobos (Olhos Coloridos, 2008), III Fórum Social Mundial (Um outro mundo é possível, 2003), II Festival de Música de Porto Alegre (II Festival de Música de Porto Alegre, 1999).

Lançou “Palavreio”, seu Cd-livro de estréia, considerado um dos dez melhores discos brasileiros de 2008 (Jornal Zero Hora, 16/12/2008 e ABC Domingo, 28/12/2008), vencedor do Troféu Açorianos de Música, categoria Relevação e Troféu RBS Cultura, Menção Honrosa.



Em 2009 ingressou na carreira de professor universitário e tornou-se pai, sempre mantendo intensa atividade artística. Relançou “Palavreio” com patrocínio da CEEE, com turnê pelo SESC-RS e participou do conceituado projeto Unimúsica ao lado de nomes como Lenine, Arnaldo Antunes, Kassin e Kristoff Silva.

Em 2010 participou como convidado especial de Ivan Lins na ocasião do lançamento do Cd “Perfil”, no Theatro Guarany, em Pelotas e Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre. 



Também neste ano torna-se parceiro de André Mehmari e forma o trio “Nó de Pinho”, com os premiados músicos Paulo Gaiger e Thiago Colombo de Freitas, enfatizando a música gaúcha como base para sua produção.



Em 2011 participou das gravações do recém lançado CD Canteiro, de André Mehmari, com quem gravou as canções “Luzidia”, “Valsa Russa” e “Sal Saudade”.



CANTEIRO - André Mehmari - EPK from André Mehmari on Vimeo.

Suas composições “Suíte Maria Bonita”, “Bolero da Procura” e “Sobressalto de Ismália”, ainda inéditas estarão no próximo disco de Leandro Maia intitulado “Suíte Maria Bonita e Outras Veredas”, em fase de pré-produção.



Também neste ano compôs e gravou a trilha do filme “O Mar do Poeta” (Alan Mendonça), ao lado de Pedrinho Figueiredo.



Em 2012 realizará shows junto ao projeto “Gauchada Sul Gêneris”, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro ao lado de nomes como Renato Borghetti, Marcelo Delacroix e Gisele de Santi e tem apresentações previstas no Teatro Nacional da Costa Rica, ao lado do cantautor Dionísio Cabal. Também participa do CD do fagotista Fábio Mentz, em fase de finalização.


Neste ano pretende lançar seu primeiro disco infantil, intitulado “Mandinho”, com ilustrações de André Macedo.  Ainda em 2012 deve iniciar as gravações de seu segundo Cd autoral, “Suíte Maria Bonita e Outras Veredas”, onde aprofunda o conceito de “Canção de Câmara Brasileira”, aprofundando a interface entre as tradições erudita e popular.

Leandro Maia vive na cidade de Pelotas/RS onde se dedica ao trabalho artístico, à produção cultural e à docência junto à Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).

Prêmios e títulos
2009
Prêmio Açorianos de Música 2008 - Revelação, Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.
2009
Menção Honrosa – Troféu RBS Cultura.
2007
Troféu Destaque do Mês - Programa Lugar de Criança é na Família e na Escola, Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
2000
Prêmio Açorianos de Música – Melhor Grupo MPB, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
1999
Prêmio Açorianos de Música – Melhor Grupo MPB. Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
1999
Premiação UFRGS 65 anos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
1999
II Festival de Música de Porto Alegre, Secretaria Municipal da Cultura (SMC).




Sobre Palavreio


“Um dos 10 melhores discos brasileiros de 2008. Leandro Maia estreou unindo letra e música com maestria em Palavreio”
(Jornal Zero Hora, Segundo Caderno, Retrospectiva 2008: Os melhores discos, 16/12/2008)
“Revela-se um compositor preparado. O disco é aberto, tem os pés no Rio Grande, anda pelo Brasil e pelo mundo. Milongas convivem com sambas e zambas, há valsa, há rock, sem falar nas familiaridades eruditas. Há grande música e há naturalidade. A letras dimensionam os ritmos e acentuam o diferencial de Leandro como meticuloso arquiteto da canção. Camões, Simões Lopes Neto, Villa-Lobos, Drummond, Beatles e outros próceres passeiam à vontade pelo trabalho. Leandro Maia chega para ficar.”
(Juarez Fonseca, Revista Aplauso, janeiro de 2009)
 “Compositor deste nosso tempo, ele sabe que está lidando com uma forma com história intensa, densa; sabe e promove em seu disco uma repassada por vários gêneros e estilos, sempre aliando invenção musical com invenção poética. Por isso, o CD tem um encarte que é um pequeno livro, que não se limita a trazer as letras cantadas; também por isso o CD, que se deixa ouvir como se fosse mero pano de fundo musical, proporciona outra escuta, atenta, focada, como se exige de um livro ou de um concerto; por isso, enfim, é um CD precioso, que dá e comenta música e poesia, a canção.”
(Luís Augusto Fisher, Zero Hora, 23/12/2008)
 "O trabalho de composição, arranjos, interpretação, enfim, o conjunto de idéias que ele apresenta em Palavreio, seu primeiro disco, é que configuram uma verdadeira revelação. Revelam algo que não conhecíamos, surpreendem com uma qualidade, uma energia, um frescor, e ao mesmo tempo uma maturidade que desde já posicionam Leandro entre os músicos gaúchos de exceção. (...) A arquitetura musical de Leandro Maia é a grande novidade de 2008."
(Juarez Fonseca, Jornal ABC, 30/11/2008).
 "Um dos melhores letristas da nova geração musical de Porto Alegre."
(Daniel Soares, Correio do Povo, 17/10/2008).
 "Palavreio reúne canções bem acabadas que tratam a melodia e a letra com clareza e cortesia."
(Mônica Kanitz, Jornal do Comércio, 17/10/2008).
 "Leandro Maia é um artista de letra e melodia (...). Tudo isso aparece em Palavreio, um disco em que a diversidade musical e virtude poética estão intimamente ligados."
(Luís Bissigo, Zero Hora, 14/10/2008).



 ............................................................................................................. 




“Nessa vida onde sobram sertões
Ainda quero uma vista pro mar
E essa língua de luso-ilusões
Navegar.”


Canais

Orkut: Leandro Maia Palavreio
Comunidade/Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpn&cmm=101452717


Domingo, Novembro 20

Matéria no Estadão sobre Canteiro

Mehmari em letra e canto

Pela primeira vez, André Mehmari lança CD duplo inteiramente dedicado à canção

20 de novembro de 2011 | 7h 00

Lucas Nobile - O Estado de S.Paulo
Hermeto Pascoal diz que "um instrumentista não pode ser instrumento de seu próprio instrumento". André Mehmari é um dos maiores sabedores disso em sua geração. As 88 teclas do piano nunca o limitaram e ele sempre as usou a serviço da emoção e da originalidade. Consagrado no campo da música instrumental, aos 34 anos, ele lança o disco duplo Canteiro, um trabalho autoral dedicado à canção.
Além do piano. Compositor toca violão, viola, violino, acordeom, charango e contrabaixo - Zeca Wittner/AE
Zeca Wittner/AE
Além do piano. Compositor toca violão, viola, violino, acordeom, charango e contrabaixo
Mehmari, que sempre compartilhou alumbramentos por meio de melodias e harmonias, tem, enfim, temas revestidos de versos e vozes. O que já fora revelado de modo mais tímido - em Eternamente (parceria com Rita Altério) e O Voo da Bailarina (com Cristina Saraiva), no disco Piano e Voz (2005), de Mehmari e Ná Ozzetti -, aparece agora inteiramente com o compositor criando músicas que receberam letras e canto de parceiros e intérpretes, respectivamente.

"Eu venho compondo há um longo tempo. Esse lado de cancionista se intensificou nos últimos três, quatro anos. A canção sempre esteve amalgamada à minha produção instrumental. Eu já naveguei muito neste universo e quero investir nesse cancioneiro, que é a grande riqueza do País. Penso em uma continuidade, um Canteiro II", diz Mehmari.

Nas 30 faixas do disco, ele conta com parceiros, intérpretes e instrumentistas com estilos bem diferentes entre si, passando por diversos gêneros musicais, como bossa nova, valsa, frevo, fado, baião, entre outros.
No álbum, Mehmari assina parcerias com Carlos Fernando (À Beira da Canção e Insisto), Tiago Torres da Silva (Apenas o Mar e Meia Lágrima), Sérgio Santos (Baião de Reza, Última Valsa e Vento Bom), Bernardo Maranhão (O Cântico dos Quânticos, Cruce, Desalvorada, Amor da Terra, Pra Amada Imortal e Festa dos Pássaros), Silvio Mansani (Clara e Florbela), Makely Ka (Guardar), Rita Altério (Ida e Volta), Simone Guimarães (Ninguém Compreende), Luiz Tatit (Brilha o Carnaval, Tentar Dormir e Modular Paixões), Arthur Nestrovski (Viagem de Verão), Leandro Maia (Valsa Russa, Sal Saudade e Luzidia).

Além das tabelinhas - em 80% das vezes tendo a música como ponto de partida, ganhando versos depois -, Mehmari também se revela completo, compondo sozinho em Velha Inquietude.

O disco não nega a tradição europeia, mas é essencialmente brasileiro. Com uma estética bem definida, Canteiro tem a maioria de suas faixas imagéticas e cinematográficas, literalmente bem amarradas por um fio condutor. Literalmente, porque Mehmari liga algumas músicas por um som proposital conseguido pela região mais aguda do acordeom.

Outro ponto interessante em Canteiro é o fato de Mehmari tocar diversos instrumentos em várias faixas do disco. Não que o piano tenha ficado pequeno para ele. Trata-se de uma opção, com o compositor gravando em alguns momentos violão, flauta, acordeom, rhodes, viola, violino, contrabaixo e fazendo também programações de bateria.

Além, obviamente, de assinar os arranjos, Mehmari é responsável pela gravação, mixagem e masterização do disco, graças às facilidades de ter um ótimo estúdio montado em casa.

"Eu quis buscar a simplicidade e deixar a canção falar mais alto. Por isso a escolha de tocar instrumentos nos quais eu não tenho a mesma facilidade que tenho no piano. Se este disco fosse gravado por uma orquestra profissional, teria outro som. Comigo tocando vários instrumentos, com o meu jeito 'errado' de tocar, como em Valsa Russa, a gente tem o som como se fosse de uma orquestrinha idiossincrática", comenta Mehmari.

Canteiro também conta com instrumentistas de grande respeito, como Sérgio Reze, Neymar Dias, Teco Cardoso, Hamilton de Holanda, Luca Raelle, Chico Pinheiro, além de participação estupenda da Orquestra à Base de Sopro de Curitiba, no frevo Brilha o Carnaval, no qual Mehmari "quis dar enfoque à sua caneta de arranjador".

No disco, alguns dos compositores cantam seus próprios temas, como Sérgio Santos, Silvio Mansani, Simone Guimarães, Leandro Maia e Luiz Tatit. Canteiro tem ainda gravações de intérpretes de peso, como Mônica Salmaso (Apenas o Mar e Modular Paixões), Ná Ozzetti (Festa dos Pássaros), Jussara Silveira (Viagem de Verão), o argentino Carlos Aguirre (Cruce) e o português Antonio Zambujo (Meia Lágrima).
Outra novidade do álbum é Mehmari cantando. Ele, que já havia dado demonstrações de sua voz, assume o papel de intérprete em oito faixas do CD. Com o ano terminando, Canteiro deve chegar aos palcos apenas em 2012, tendo como benefício a possibilidade de ser apresentado em diversas formações.

André Mehmari - CANTEIRO CD 2 (trechos/samples)

André Mehmari - CANTEIRO CD 2 (trechos/samples)

André Mehmari - CANTEIRO CD 2 (trechos/samples) by André Mehmari

Quarta-feira, Outubro 12

Participação no CD "Canteiro", de André Mehmari

Um orgulho enorme participar deste trabalho.

Temos três parcerias gravadas neste grande disco, músicas do André Mehmari com letras minhas:

- Sal, Saudade (Mehmari/Maia) - Homenagem a Dorival Caymmi. Leandro Maia (violão), André Mehmari (voz)
- Luzidia - Leandro Maia (violão e voz), André Mehmari (piano), Neymar Dias (contrabaixo).
- Valsa Russa - Leandro Maia (voz), André Mehmari (piano, violinos, viola, flauta, flautim, percussão, celesta, e mais um monte de coisas....) Confiram no Vídeo!!!







É possível baixar as letras e partituras no site do André Mehmari: www.andremehmari.com.br

http://www.andremehmari.com.br/new/paginas/frameset%20novidades.html




Letras em http://www.andremehmari.com.br/new/IMAGENS/canteiro%20especial/Mehmari_Canteiro_Letras.pdf

Quarta-feira, Junho 22

POÉTICA DA CANÇÃO - DIA 29 DE JUNHO - 19:30 - no Conservatório de Música da UFPEL

Leandro Maia ministra palestra sobre composição e análise de canções: A ação integra o projeto Palavreio, financiado pelo Procultura


Com o título “POÉTICA DA CANÇÃO BRASILEIRA”, Leandro Maia aborda a canção popular brasileira por dentro, analisando as relações existentes entre letra e música a partir de sua vivência como compositor e educador.

Tendo como base o trabalho “Quereres de Caetano: da canção à Canção”, defendido como dissertação de Mestrado em Literatura na UFRGS, Leandro Maia comenta gestos composicionais de adequação entre melodia e texto, apontando características da linguagem da canção, procedimentos de análise e fundamentos para a interpretação musical.

Público alvo: cantores, compositores, letristas, poetas, jornalistas, estudantes, educadores e interessados.




Sobre Leandro Maia

Cantor, violonista e compositor. Mestre em Letras - Pós Graduação em Literaturas Brasileira, Portuguesa e Luso-Africanas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com a dissertação Quereres de Caetano: da canção à Canção, 2007. Especialista em Letras - Práxis da Criação Textual, no Centro Universitário Ritter dos Reis, com a monografia A palavra-canto é uma ponte, 2004. Licenciado em Música, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o trabalho de conclusão O professor de música no trânsito entre dois mundos, 2002. Prêmio Açorianos – Revelação e Troféu RBS Cultura pelo Cd-Livro “Palavreio”. Vem realizando palestras e conferências no Brasil e no exterior sobre o tema ‘Poética da Canção’, palestra-show que já foi apresentada em diversos eventos e universidades do exterior, junto ao Foro Latinoamericano de Educación Musical (FLADEM) e Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM).
Também atua como regente, arranjador e compositor para formações corais, com ênfase em coros juvenis, tendo participado de coletâneas como Música Brasileira para Coro Juvenil (Funarte, 2010), além de ter arranjos selecionados para o Festival Internacional de Coros de Belo Horizonte. Seus trabalhos são cantados por grupos vocais de todo o Brasil.
Lançou “Palavreio”, seu Cd-livro de estréia, considerado um dos dez melhores discos brasileiros de 2008 (Jornal Zero Hora, 16/12/2008 e ABC Domingo, 28/12/2008), vencedor do Troféu Açorianos de Música, categoria Relevação e Troféu RBS Cultura, Menção Honrosa.
Reside em Pelotas, Rio Grande do Sul, onde se dedica ao trabalho artístico, à produção cultural e à docência junto à Universidade Federal de Pelotas, no curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância.







Fotos: Unimúsica-UFRGS-2009 - Série Cancionistas