terça-feira, julho 4

TVE E FM CULTURA

Quatro da manhã na Inglaterra. Não consigo dormir.

Mas que tenhamos claro, meus amigos. Eles perderam. Eles não conseguiram e não vão conseguir acabar com a TVE e a FM Cultura. Juridicamente não será possível, politicamente não será possível porque tem uma comunidade fiel, combativa e plural de ouvintes e parceiros que não vai deixar assim. Não vão conseguir porque os funcionários estão mobilizados, bem organizados e o público está engajado para além de qualquer bandeira partidária.

O que resta ao governo? A mesquinhez de atingir o nosso afeto de público aguerrido. Como? Trocando os apresentadores que representam a alma de programas locais, que simbolizam a voz da cidadania gaúcha por seu próprio mérito e resistência. Neste sentido, uma ação e dois efeitos: tentar baixar a moral da tropa e fazer-nos sentir poucos e pequenos.

Será que eles acham que, num passe de mágica, novos ouvintes/telespectodores surgirão na mesma medida em que desacatam um público fiel e comprometido com a emissora? Óbvio que não. O recado é pra mim, pra você. Eles querem nos fazer sentir que somos minoria.

Não somos minoria. E a resposta virá nas urnas.

O meu abraço e solidariedade aos admiráveis Newton Silva, Luiz Henrique Fontoura, Marta Schmitt (que me saltam à memória, comprometida pela minha ausência do BR e pelo natural bloqueio em se falar de algo tão dolorido).

Aos novos dirigentes:

* Que eles tenham a missão de afastar o fantasma da extinção das emissoras públicas, preservando seu caráter educativo.

* Que valorizem o diálogo com a equipe de concursados efetivos da rádio, assim como o público que já existe. Perder o público que existe é um grande erro estratégico.

* Que eles saibam que são passageiros e que os olhos e ouvidos estão acompanhando seu trabalho.

* Que compreendam a nossa desconfiança de descrédito. Embora saibamos que existem dirigentes que seriam bons em qualquer governo, eles assumiram as emissoras num momento extremamente delicado, provocado pela terrível gestão imediatamente anterior.

* Que o erros do início da gestão, que ultrapassaram limites da decência e da humanidade (uso da força policial, tentativa de intimidação, perseguição, demissões ilegais) tenham servido de lição para que a troca de gestão na Fundação e nas Emissoras simbolize um verdadeiro e sincero remanejo da política de cultura e comunicação.