O AMOR É PSICOLÓGICO
Leandro Maia (Facebook/leandromaiaoficial)
O amor é psicológico
Não tem nenhum senso prático Em parte é um evento esdrúxulo Talvez algo peristáltico De dia um momento lúdico De noite um tormento mágico Um trâmite antropológico Um hábito antropofágico O amor é psicológico Conhecimento tácito
O amor é psicotrópico
Ou mesmo é um fitoterápico
Não há nenhum diagnóstico
Do amor quando ele é linfático
Invade o sistema límbico
Altera o hipotálamo
Afeta o sistema endócrino
Espalha-se metastático
Não há nenhum analgésico
Pro amor quando acaba rápido
O amor é psicológico
Até mesmo no semiárido
Não há lugar por mais inóspito
Aonde ele não seja cálido
O amor é meteorológico
Não mero fator climático
Ocorre no tempo úmido
Ou mesmo no mar antártico
O amor pode ser desértico
Fenômeno geográfico
O amor é psicológico
Se move no céu galáctico
Frequenta planetas míticos
E sóis no universo errático
Desfaz do mapa astrológico
Debocha das leis da náutica
O amor tem astral insólito
Se aloja entre as pás eólicas
O amor é psicológico
Mas cabe na cesta básica
PS: Nunca usei a palavra "amor" em minhas cançōes. Como diria o Drummond, pois resultou inútil. Então desaguei aqui. O poema está prometido para ser musicado, fica o mistério. Abraços e o melhor 2017 possível.
A minha relação com as equipes de concursados da TVE e FM Cultura iniciou-se de forma protocolar. Um artista que visita as emissoras para falar do seu trabalho. Quero dizer que ao longo dos anos, este relacionamento se transformou em amizade, de minha parte movida pela profunda admiração. Amizade, admiração e amor.
A admiração e o orgulho que eu sempre tive desses funcionários estáveis, incorruptíveis, de extrema delicadeza, bom gosto e sabedores de enorme importância do seu papel.
E, se não bastasse competência e ética estarem de mãos dadas, o amor que esses meus amigos nutriram pela TVE e FM Cultura sempre foi contagiante. Amor pela comunicação, pelo jornalismo cultural. Amor pela música e pelas artes.
Esse amor é o que vocês deixam, meus amigos. O zelo e o carinho por algo muito maior do que nós. Nossas heranças, nosso capital simbólico, nosso compromisso.
A lágrima agora tem gosto de sal, mas o abraço tem a força do mar.
Amo muito vocês. Obrigado pelo que fizeram e pelo que vocês seguirão fazendo. Esse amor seguirá transformado e transformando. Eu sinto esse amor de vocês pelo trabalho. E é esse amor que é o perigo. É esse prazer pelo trabalho que querem acabar.
Seguiremos com indignação e luta. Mas o amor, o prazer e a delicadeza, ah, esses seguirão em nossa teimosia.
Muita força. Muito obrigado. Estamos juntos e a contribuição de vocês é inesgotável.
Depois de
turnê pela Costa Rica e apresentações no Rio de Janeiro
Leandro
Maia apresenta seu “Palavreio” e novidades, contando com a participação
especialíssima do genial multi-instrumentista
André
Mehmari
07/07,
21h no Theatro São Pedro
Cantor,
compositor, letrista, violonista e educador musical, é considerado um dos
reinventores da tradição cancionista do Brasil. Leandro conta não apenas com o
reconhecimento do público gaúcho, mas também de artistas como Ivan Lins, que o
convidou a participar de sua turnê Perfil,
quando passou pelo Rio Grande do Sul em 2010, ocasião em que Leandro também
teve a honra de subir ao mesmo palco ao lado do mestre Geraldo Flach, em sua
última apresentação pública.
Seu primeiro álbum, Palavreio, foi considerado um dos dez melhores discos brasileiros
de 2008 pela imprensa gaúcha e lhe rendeu os prêmios Açorianos – Revelação e o Troféu
RBS Cultura. Também participou do Projeto Unimúsica – série cancionistas,
ao lado de nomes como Lenine e Arnaldo Antunes.
No show do Theatro São Pedro,
Leandro Maia (voz e violão) se apresentará ao lado da banda formada por Pedrinho
Figueiredo (flauta, sax e direção musical), Luke Faro (bateria), Mimmo Ferreira
(percussão), Miguel Tejera (baixo) e Marcelo Corsetti (guitarra), Michel Dorfman (teclados), além das
lindas vozes de Andréa Cavalheiro e Marcelo Delacroix, entoando os coros das canções
do premiado “Palavreio”.
O pianista André Mehmari fará uma grande participação
especial: juntos, interpretarão “Luzidia”, “Valsa Russa”, “Sal Saudade”, parcerias
gravadas no álbum “Canteiro”, de Mehmari, recentemente lançado no SESC Pompéia,
em São Paulo, com participação de Leandro ao lado de André e grandes nomes como Ná Ozzetti, Mônica Salmaso, Sérgio Santos, Luciana Alves e Chico Pinheiro. Outra novidade é “Bolero da Procura”, balada jazz de Mehmari/Maia
que viaja pelas diversas regiões do Brasil, passando pela Praia do Laranjal, em
Pelotas, onde Leandro Maia reside desde 2010.
O repertório, que mescla ritmos
gaúchos, influências eruditas, rock e jazz, foi recentemente apresentado em
turnê pela Costa Rica, no concerto A Dos
Voces Poéticas, ao lado do cantautor Dionísio Cabal, um dos nomes mais
importantes do movimento da Nueva Canción
Costarricense. Vale relembrar Palavreio e conferir as novidades que estarão
no próximo trabalho, onde serão gravadas as parcerias inéditas de Leandro Maia também com Marcelo Delacroix, com quem Leandro canta a novíssima “Histórias
de Nós Dois”, que passeia pelos casais da literatura brasileira.
Cantor, violonista e compositor. Mestre em Letras - Pós Graduação em Literaturas Brasileira, Portuguesa e Luso-Africanas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com a dissertação Quereres de Caetano: da canção à Canção, 2007.
Especialista em Letras - Práxis da Criação Textual, no Centro Universitário Ritter dos Reis, com a monografia A palavra-canto é uma ponte, 2004.
Licenciado em Música, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o trabalho de conclusão O professor de música no trânsito entre dois mundos, 2002. Prêmio Açorianos – Revelação e Troféu Cultura RBS pelo Cd-Livro “Palavreio”.
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Atuou como violonista, cantor, arranjador e compositor do quinteto de música popular de câmara “Café Acústico” (1998 a 2001), com o qual recebeu dois prêmios Açorianos de Música, na categoria Melhor Grupo de MPB (1999 e 2000) e venceu a segunda edição do Festival de Música de Porto Alegre (1999). No teatro, trabalhou como Diretor Musical do espetáculo “Ópera dos Mendigos” do núcleo de formação de atores do Depósito de Teatro (2007) e atuou como cantor no espetáculo “Antígona”, dirigido por Luciano Alabarse (2004) com música de Arthur de Faria.
Assinou a trilha sonora e a direção musical do espetáculo “Penélope Bloom”, uma produção Brasil-Costa Rica baseada na obra “Ulisses” de James Joyce, dirigida pelo costarriquenho Gerardo Bejarano. Esta obra foi contemplada com o Prêmio Myriam Muniz Funarte/Petrobrás.
Atuou entre 2006 e 2009 como professor de música na Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, onde idealizou e coordenou o projeto “Som da Cidade”, o grupo “Tamborilando – tambores em rede” e os “Centros Musicais” junto à Secretaria Municipal de Educação e à EMEF Neusa Goulart Brizola, atuando no estabelecimento de um currículo plural de ensino de música. Em 2009 atuou como professor do Departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina – PR, junto a área de Metodologia e Prática de Ensino e coordenou o projeto de extensão: Identidade e Culturas Juvenis: agregando escola e comunidade na busca da transformação social.
Também atua como arranjador e compositor para composições corais, com ênfase em coros juvenis, tendo participado de coletâneas como Música Brasileira para Coro Juvenil (Funarte, 2010), além de ter arranjos selecionados para o Festival Internacional de Coros de Belo Horizonte. Suas obras são cantadas por coros juvenis de todo o Brasil. http://www.funarte.gov.br/funarte/serie-de-coro-juvenil/
Participou de diversos discos como cantor, violonista e arranjador em trabalhos de Marcelo Delacroix (Depois do Raio, 2005), Arthur de Faria (Antígona, 2004), Alexandre Vieira (Chacarera Blues, 2005), Zé da Terreira (Quem tem boca é pra cantar, 2001), Karine Cunha (Fluida, 2005), Café Acústico (Café Acústico, 2000), Orquestra de Flautas Villa-Lobos (Olhos Coloridos, 2008), III Fórum Social Mundial (Um outro mundo é possível, 2003), II Festival de Música de Porto Alegre (II Festival de Música de Porto Alegre, 1999).
Lançou “Palavreio”, seu Cd-livro de estréia, considerado um dos dez melhores discos brasileiros de 2008 (Jornal Zero Hora, 16/12/2008 e ABC Domingo, 28/12/2008), vencedor do Troféu Açorianos de Música, categoria Relevação e Troféu RBS Cultura, Menção Honrosa.
Em 2009 ingressou na carreira de professor universitário e tornou-se pai, sempre mantendo intensa atividade artística. Relançou “Palavreio” com patrocínio da CEEE, com turnê pelo SESC-RS e participou do conceituado projeto Unimúsica ao lado de nomes como Lenine, Arnaldo Antunes, Kassin e Kristoff Silva.
Em 2010 participou como convidado especial de Ivan Lins na ocasião do lançamento do Cd “Perfil”, no Theatro Guarany, em Pelotas e Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre.
Também neste ano torna-se parceiro de André Mehmari e forma o trio “Nó de Pinho”, com os premiados músicos Paulo Gaiger e Thiago Colombo de Freitas, enfatizando a música gaúcha como base para sua produção.
Em 2011 participou das gravações do recém lançado CD Canteiro, de André Mehmari, com quem gravou as canções “Luzidia”, “Valsa Russa” e “Sal Saudade”.
Suas composições “Suíte Maria Bonita”, “Bolero da Procura” e “Sobressalto de Ismália”, ainda inéditas estarão no próximo disco de Leandro Maia intitulado “Suíte Maria Bonita e Outras Veredas”, em fase de pré-produção.
Também neste ano compôs e gravou a trilha do filme “O Mar do Poeta” (Alan Mendonça), ao lado de Pedrinho Figueiredo.
Em 2012 realizará shows junto ao projeto “Gauchada Sul Gêneris”, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro ao lado de nomes como Renato Borghetti, Marcelo Delacroix e Gisele de Santi e tem apresentações previstas no Teatro Nacional da Costa Rica, ao lado do cantautor Dionísio Cabal. Também participa do CD do fagotista Fábio Mentz, em fase de finalização.
Neste ano pretende lançar seu primeiro disco infantil, intitulado “Mandinho”, com ilustrações de André Macedo. Ainda em 2012 deve iniciar as gravações de seu segundo Cd autoral, “Suíte Maria Bonita e Outras Veredas”, onde aprofunda o conceito de “Canção de Câmara Brasileira”, aprofundando a interface entre as tradições erudita e popular.
Leandro Maia vive na cidade de Pelotas/RS onde se dedica ao trabalho artístico, à produção cultural e à docência junto à Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).
Prêmios e títulos
2009
Prêmio Açorianos de Música 2008 - Revelação, Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.
2009
Menção Honrosa – Troféu RBS Cultura.
2007
Troféu Destaque do Mês - Programa Lugar de Criança é na Família e na Escola, Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
2000
Prêmio Açorianos de Música – Melhor Grupo MPB, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
1999
Prêmio Açorianos de Música – Melhor Grupo MPB. Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
1999
Premiação UFRGS 65 anos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
1999
II Festival de Música de Porto Alegre, Secretaria Municipal da Cultura (SMC).
Sobre Palavreio
“Um dos 10 melhores discos brasileiros de 2008. Leandro Maia estreou unindo letra e música com maestria em Palavreio”
(Jornal Zero Hora, Segundo Caderno, Retrospectiva 2008: Os melhores discos, 16/12/2008)
“Revela-se um compositor preparado. O disco é aberto, tem os pés no Rio Grande, anda pelo Brasil e pelo mundo. Milongas convivem com sambas e zambas, há valsa, há rock, sem falar nas familiaridades eruditas. Há grande música e há naturalidade. A letras dimensionam os ritmos e acentuam o diferencial de Leandro como meticuloso arquiteto da canção. Camões, Simões Lopes Neto, Villa-Lobos, Drummond, Beatles e outros próceres passeiam à vontade pelo trabalho. Leandro Maia chega para ficar.”
(Juarez Fonseca, Revista Aplauso, janeiro de 2009)
“Compositor deste nosso tempo, ele sabe que está lidando com uma forma com história intensa, densa; sabe e promove em seu disco uma repassada por vários gêneros e estilos, sempre aliando invenção musical com invenção poética. Por isso, o CD tem um encarte que é um pequeno livro, que não se limita a trazer as letras cantadas; também por isso o CD, que se deixa ouvir como se fosse mero pano de fundo musical, proporciona outra escuta, atenta, focada, como se exige de um livro ou de um concerto; por isso, enfim, é um CD precioso, que dá e comenta música e poesia, a canção.”
(Luís Augusto Fisher, Zero Hora, 23/12/2008)
"O trabalho de composição, arranjos, interpretação, enfim, o conjunto de idéias que ele apresenta em Palavreio, seu primeiro disco, é que configuram uma verdadeira revelação. Revelam algo que não conhecíamos, surpreendem com uma qualidade, uma energia, um frescor, e ao mesmo tempo uma maturidade que desde já posicionam Leandro entre os músicos gaúchos de exceção. (...) A arquitetura musical de Leandro Maia é a grande novidade de 2008."
(Juarez Fonseca, Jornal ABC, 30/11/2008).
"Um dos melhores letristas da nova geração musical de Porto Alegre."
(Daniel Soares, Correio do Povo, 17/10/2008).
"Palavreio reúne canções bem acabadas que tratam a melodia e a letra com clareza e cortesia."
(Mônica Kanitz, Jornal do Comércio, 17/10/2008).
"Leandro Maia é um artista de letra e melodia (...). Tudo isso aparece em Palavreio, um disco em que a diversidade musical e virtude poética estão intimamente ligados."
Leandro Maia ministra palestra sobre composição e análise de canções: A ação integra o projeto Palavreio, financiado pelo Procultura
Com o título “POÉTICA DA CANÇÃO BRASILEIRA”, Leandro Maia aborda a canção popular brasileira por dentro, analisando as relações existentes entre letra e música a partir de sua vivência como compositor e educador.
Tendo como base o trabalho “Quereres de Caetano: da canção à Canção”, defendido como dissertação de Mestrado em Literatura na UFRGS, Leandro Maia comenta gestos composicionais de adequação entre melodia e texto, apontando características da linguagem da canção, procedimentos de análise e fundamentos para a interpretação musical.
Público alvo: cantores, compositores, letristas, poetas, jornalistas, estudantes, educadores e interessados.
Sobre Leandro Maia
Cantor, violonista e compositor. Mestre em Letras - Pós Graduação em Literaturas Brasileira, Portuguesa e Luso-Africanas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com a dissertação Quereres de Caetano: da canção à Canção, 2007. Especialista em Letras - Práxis da Criação Textual, no Centro Universitário Ritter dos Reis, com a monografia A palavra-canto é uma ponte, 2004. Licenciado em Música, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o trabalho de conclusão O professor de música no trânsito entre dois mundos, 2002. Prêmio Açorianos – Revelação e Troféu RBS Cultura pelo Cd-Livro “Palavreio”. Vem realizando palestras e conferências no Brasil e no exterior sobre o tema ‘Poética da Canção’, palestra-show que já foi apresentada em diversos eventos e universidades do exterior, junto ao Foro Latinoamericano de Educación Musical (FLADEM) e Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM).
Também atua como regente, arranjador e compositor para formações corais, com ênfase em coros juvenis, tendo participado de coletâneas como Música Brasileira para Coro Juvenil (Funarte, 2010), além de ter arranjos selecionados para o Festival Internacional de Coros de Belo Horizonte. Seus trabalhos são cantados por grupos vocais de todo o Brasil.
Lançou “Palavreio”, seu Cd-livro de estréia, considerado um dos dez melhores discos brasileiros de 2008 (Jornal Zero Hora, 16/12/2008 e ABC Domingo, 28/12/2008), vencedor do Troféu Açorianos de Música, categoria Relevação e Troféu RBS Cultura, Menção Honrosa.
Reside em Pelotas, Rio Grande do Sul, onde se dedica ao trabalho artístico, à produção cultural e à docência junto à Universidade Federal de Pelotas, no curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância.
O mais bacana foi o título: "A Nova Música Gaúcha". O jornalista - e bandolinista - Luís Nassif disponibilizou o Palavreio para os internautas interessados em novidades.
Onde Encontrar o CD Palavreio A lista abaixo indica as lojas que compraram este CD recentemente. Entre em contato com a loja para garantir que o CD ainda está em estoque.
Quero registrar aqui um grande abraço ao Juarez Fonseca, um muito obrigado do fundo do coração pelo incentivo que tem dado aos novatos.
terça-feira, agosto 4
Amigos, vai ser um belíssimo show no Salão de Atos da UFRGS. Não dá pra não ir: tem uma baita produção, a entrada é praticamente de graça e podem ser feitas reservas pela internet: http://www.difusaocultural.ufrgs.br/agendamento/ Agradecerei muitíssimo se repassarem aos seus contatos, repassando aos seus melhores amigos. Um abração ou um beijo grande Leandro Maiawww.myspace.com/palavreiopalavreio.blogspot.comhttp://www.buzinadogasometro.com.br/
MÚSICA De olho na canção Arnaldo Antunes abre o projeto Unimúsica 2009 Arnaldo Antunes abre a série Cancionistas, do projeto Unimúsica 2009, com um debate, hoje, e um show, amanhã (os ingressos para o show já estão esgotados). Depois dele, a série tem programado até novembro apresentações de Fred Martins, Daniel Drexler, Kristoff Silva, Leandro Maia, Kassin + 2 (com Domenico Lancelotti e Moreno Veloso), Richard Serraria e Lenine. Mas a principal atração será a canção.Essa legião de cancionistas, convocada em lugares tão distantes como Rio, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Uruguai, terá a tarefa de mostrar que a canção não é apenas uma obra de música popular mais lenta, às vezes romântica, com letra “difícil”. Na definição do músico e pesquisador Luiz Tatit, o cancionista na verdade é um equilibrista, entretido no desafio de fazer letra e melodia se complementarem e se reforçarem, tomando emprestado da fala cotidiana inspiração, inflexões, termos e ritmo. Além de shows, o Unimúsica prevê oficinas com artistas e debates com Carlos Sandroni, Guilherme Wisnik e Francisco Bosco.Um dos exemplos clássicos da integração letra e melodia está em Beatriz, de Chico Buarque e Edu Lobo. Embora Chico negue que tenha tido essa intenção, alguns de seus versos são a mais perfeita tradução do que significa uma canção: uma nota aguda da melodia coincide com “Se ela dança no sétimo céu”, enquanto um tom grave marca “Me ensina a não andar com os pés no chão”. As melodias de Gilberto Gil durante a Tropicália, liquidificando ritmos, pífaros e Beatles, podem ser entendidas como reflexo de uma sociedade que se modernizava rápida e brutalmente. Outro exemplo brilhante é a melodia escura de Sinal Fechado, de Paulinho da Viola, que ilustra o diálogo entre dois amigos engarrafados na vida e na rua.
Os nomes que estarão no palco do Salão de Atos da UFRGS também seguem essa receita – cada um a sua maneira, como devem fazer os cancionistas de verdade. Arnaldo já passeou pelo rock do Titãs e pelo pop dos Tribalistas. Daniel Drexler segue a trilha de seu irmão famoso e oscarizado, Jorge, assumindo que a bossa nova pode conversar com a murga (ritmo carnavalesco uruguaio). Em seu primeiro e ótimo CD, Palavreio, Leandro Maia entremeou canções com poesia. Talvez tudo se resuma aos versos de Samba e Leveza, parceria entre Lenine e Chico Science: “Foi na leveza / Só sentimento / E me entregou suas palavras / Como quem dava um pedaço”.
RENATO MENDONÇA
A PRIMEIRA ETAPA DO PROJETO Hoje, a partir das 19h – Arnaldo conversa sobre a Canção com o escritor e professor Luís Augusto Fischer no Salão de Atos da UFRGS (Avenida Paulo Gama, 110). A entrada é franca, e a sala estará aberta a partir das 18h. Amanhã, às 19h – O artista faz show no Salão de Atos da UFRGS. Os ingressos se esgotaram na segunda-feira.
quinta-feira, fevereiro 5
Aviso n?o é coisa que se faça Amigo n?o avisa Disfarça
No princípio dos tempos, quer dizer, um século atrás, a canção era apenas uma forma de participar da conversa pública dizendo com melodia as coisas que era possível ou cabível dizer: cantar o amor, cantar o desamor (tão importante quanto), falar mal dos outros, tirar sarro de alguém, insinuar o que não cabia dizer com todas as letras. Tudo isso cabia na canção, nesse começo, que de certa forma pode ser ainda mais remoto, digamos que lá pelo mundo medieval: cantigas de amor, cantigas de amigo, cantigas de malidizer.
Mas é certo que cem anos atrás essa brincadeira tomou forma mais nítida, e começou a atrair outros compositores, mais afinados com uma novidade de arromba: a gravação. Aliada com o teatro de variedades e canção já estava; agora, ela ganhava o estatuto de produto de mercado. Produto cultural, com toda a ambigüidade que a junção deste substantivo com este adjetivo implica: é coisa que se vende, e portanto o sucesso está na proporção direta da facilidade massificadora, e é coisa que raia pelo sublime, e portanto pode sobreviver ao tempo, como qualquer arte.
O tempo passa e essa mistura de palavra e som desenvolve uma trajetória de excelência em nosso país (e não só nele). A canção deixa a vida para entrar na história, incluindo a história universitária. E aí aparecem novos cancionistas, agora autoconscientes. Quando começou este passo? Nos anos 60, com os festivais, na invenção da MPB.
Dessa tradição provém Palavreio, CD de Leandro Maia, lançado faz pouco. Compositor deste nosso tempo, ele sabe que está lidando com uma forma com história intensa, densa; sabe e promove em seu disco uma repassada por vários gêneros e estilos, sempre aliando invenção musical com invenção poética. Por isso, o CD tem um encarte que é um pequeno livro, que não se limita a trazer as letras cantadas; também por isso o CD, que se deixa ouvir como se fosse mero pano de fundo musical, proporciona outra escuta, atenta, focada, como se exige de um livro ou de um concerto; por isso, enfim, é um CD precioso, que dá e comenta música e poesia, a canção.
Há exatos dez anos atrás Leandro Maia estreava profissionalmente nos palcos como cantor e violonista do premiado quinteto de música popular "Café Acústico" ganhador de dois Açorianos de melhor grupo de MPB e vencedor do II Festival de Música de Porto Alegre. De lá pra cá "pôs o pé na profissão": formou-se em Música (UFRGS), especializou-se em Práxis da Criação Textual (Unirriter) e mestrou-se em Literatura Brasileira (UFRGS).
Agora apresenta ao público "Palavreio": um tratado autoral em três partes sobre canção brasileira: Palavra de Papel (poemas), Palavra Dita (poemas recitados) e Canção, onde realiza o percurso da palavra falada à "palavra cantada à moda brasileira". O CD-livro - ou CD de cabeceira - é financiado pelo Fumproarte (Prefeitura Municipal de Porto Alegre), com produção executiva de Cláudia Braga (Casa Elétrica Espaço de Cultura), produção musical de Pedrinho Figueiredo e ilustrações de Jorge Herrmann.O disco conta com participação especial de Hique Gomez e traz a sonoridade de mais 25 músicos do primeiro time do cenário local.
Dialogando com poetas, escritores e compositores como Luís de Camões, João Simões Lopes Neto, Manuel Bandeira, Mário Quintana, João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Noel Rosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Vitor Ramil, entre outros, Leandro Maia depura o conceito de antropofagia e tropicalismo, misturando formas eruditas e populares. Em suas canções aparecem citações de Villa-Lobos, Lennon e Mcartney, Richard Wagner, J.S. Bach, Kurt Cobain, além de literatura de cordel, hai cai e poesia concreta. Esta pluralidade de manifestações culturais - que ocorre de forma orgânica e bem articulada - condiz com o próprio fenômeno da canção brasileira: híbrida e bela, mestiça e única, sofisticada e simples.
A banda é formada por Leandro Maia (voz e violão), Pedrinho Figueiredo (Flauta, Sax e direção musical), Michel Dorfman (piano e teclado), Miguel Tejera (Baixo), Mimo Aires (percussão) e Luke Faro (Bateria). Participação de Marcelo Delacroix, Vanessa Longoni, Marcelo Corsetti, Andréa Cavalheiro e Jorge Herrmann. Cenário e figurino de Sandra Denise Possani, Rudinei Morales e Chico de Los Santos.
Dia 17 de outubro às 20h – Teatro do Sesc, Av. Alberto Bins 665.
Entrada Franca
Serviço:
Show de Lançamento do CD Palavreio de Leandro Maia
17/10/2008 – 20h
Teatro do Sesc (Alberto Bins, 665, Centro, fone 51 3284 2000).